terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fatalité

Não sei de horários e datas, não atendo a porta e desliguei os telefones. Quero me zerar, me anular do mundo
para que as coisas voltem ao início, mas não sei bem onde comecei, só sei que não quero continuar me perdendo assim.
Abro as janelas, deixo gotejar aqui dentro. Me debruço pra ver as vidas passando e a minha aqui, paralisada.
Sou de urgências, de entregas, de impulsos, de agora ou nunca. Me jogo no que acredito, e tenho acreditado pouco.
Me chamaria de incontável, tanto para meus desgastes quanto para minhas alegrias. Não engulo o que
me chega de inesperado, muito menos o que vai para não mais voltar.
É insuportável para mim que um dia as coisas cheguem ao seu devido fim. Vivo tentando me acostumar com a vida mas
é sempre difícil, nunca é a mesma, mesmo sendo tão óbvia.
Às vezes sou tão submissa ao que sinto, tão entregue ao perigo que corre dentro
de mim. Agora, dentro e fora só avisto deserto.

domingo, 29 de novembro de 2009

Livrai-me dos minúsculos e suas minúcias ridículas.
Livra-me desta dor que me ofusca os sentidos; dai-me doses diárias de paz.
Livrai-me desta cobrança do que jamais serei. Desta eterna busca do que não sei.
Perdoai-me por este contrário que insisto em permanecer.
Perdoai-me se sou cruel aos teus olhos: sou humana.
Resgatai-me a extinta fé, resgatai-me a esperança infantil de quem um dia creu.
Livrai-me dos amores sofridos e das noites pálidas e caladas de remorso.
Dai-me coragem para enfrentar-me e enfrentar-te.
Perdoai-me se sou pecadora. Creio que o pecado está nos olhos dos minúsculos.
Perdoai-me se desejo mais. Sou inesgotável com meu querer.
Dai-me braços e abrigo.
Livrai-me dos exageros que me envenenam.
Resgatai-me o gosto pelo simples e imaterial.
Ajudai-me que já não tenho para onde fugir. Insistentemente colido comigo, e não entendo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Às vezes acordo com uma vontade enorme de apagar tudo. Com uma culpa gigante da minha infelicidade e da tua também. Construo e destruo ilusões, acabo sempre me lamentando pelos inesgotáveis desafetos. Minha sede de tudo
é tanta que às vezes acabo sem nada, toda destruída, sem amanhã nem depois.
Me permito por dias me esquecer um pouco. Preciso me poupar de mim mesma pra que tudo siga bem na medida do possível, ainda que pareça impossível seguir.
Quero cessar meus encantos por enquanto. Preciso de um pouco de paz, sem entregas e perdas. Essa minha vontade de ir embora é a mais pura fragilidade de quem não quer encarar o real. E dói.
Penso tanto nas pessoas, escrevo cartas pra ninguém, bebo e fico paralisada em frente a janela. O telefone mudo, um silêncio insuportável nos tímpanos e uma lembrança maçante no peito. Não entendo nada e quero mais é dormir pra esquecer, acordar no dia seguinte e me atolar numa distração qualquer pra que tudo pareça estar bem mas não, não está. Não posso ficar presa nessa ausência de compreensão. Ausência de tudo o que me conforte. Estou completamente sóbria e nem um pouco calma. Sei que estou patética e dolorida. O importante é jogar as cinzas no lixo, tomar um banho e colocar cafeína na garganta. Preciso recomeçar a todo instante. Jogar o cansaço ralo abaixo e me convencer que logo o tempo desloca esse desespero.

sábado, 14 de novembro de 2009

Vastidão

Estou num tempo caótico, tenho necessidade de opções plurais e de sensações singulares. Tenho asas, tenho sonhos. Tenho gosto pelo vasto.
Meus desejos são desorganizados, mutáveis. De exato em mim somente minha desordem. Estou em chamas, sem freios,
entregue ao sujo e ao belo. Meus olhos são inquietos, meu corpo não
se cala. Sou cheia de verdades e alguns exageros, algumas loucuras e uma lucidez que por vezes me estraga a saúde.
Liberdade vem de dentro pra fora. Nasce quando a gente deixa de se culpar. Me limitam porque são presos à si mesmos.
Não me preocupo em me entender. Gosto de me sentir ácida e misteriosa.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Es corto el amor, y que largo es el olvido...

Te quero mas não quero ninguém. Amanheço mas quero dormir. Sou feliz mas sofro. Raciocino mas sou impulsiva.
Sou um contraste. Meu abismo, minha salvação.
Não espero, só quero, só mantenho esperança, só me entrego no que gosto e não somente no que acredito. Te gosto,
mas tenho medo. Não te creio.
Não me sabem, não me sentem. Sou um imperceptível ponto na massa, na aglomeração de vidas esquecidas, não vividas.
Me usas para alimentar teu desejo, mas quero tudo, ou nada.
Não aceito metades porque sou inteira. Sou eu só e sou muitas. De tantas, todas inomeáveis, inexplicáveis, apenas sentidas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Days are lazy, days are tired, days are wasted... as I am.

Mastigar uma borracha com gosto de menta para disfarçar a ansiedade. Borracha que, vive mais que você e engana tão
bem quanto. Pedaço de mentira que se mastiga.
Beber água para afogar a sede, amaciar a garganta. Sim, me destrói insistir.
E então, encarar meus olhos fundos e cansados de frente para o espelho. Encarar teu olho grudado no meu, essa
insistência de tentar me ler, não, não vai dar certo. Se nem eu me sei, então não tente me saber. Suas mentiras
são fatais porque são ditas de encontro com meu olhar. E eu vou sempre sofrer por sentir que não sou sentida como
deveria ser. Por favor, saia. Não entre se não souber lidar comigo. Não quero essas idas e vindas, estas facadas
diárias deste sentimento tão doce e tão cruel.
Entrei numa rotina que parece impossível de acabar. Tem sido insuportável amanhecer sempre com fadiga na alma.
Preciso tanto sentir. Preciso tanto provar pra mim mesma que estou viva, que existem os dias de plena felicidade,
os momentos de êxtase sem substâncias, mas não, eles parecem cada vez mais distantes.
Eu imploro: me deixa seguir. Essa dor me regride. Não admito estes meios termos, essa falta de coragem de se
encarar. Tem uma parte em mim que é linda e eu não quero perdê-la.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Son tan escuras de entender estas cosas interiores..."

Olha, sou complicada. Sou enrolada na minha infinidade de sentimentos. Faço drama, comédia e romance porque sinto tédio da vida. Não me espelho em ninguém porque ninguém sabe o que é certo. Não há o certo. Há o menos
incômodo ao próximo e pronto. A vida se trata de agrados aos outros pois de fato sua felicidade não é tão importante, desde que isso não me faça infeliz. Entende? Não importa.
Vou escrever em guardanapos meus pensamentos. Terei lapsos filosóficos,
lerei Bukowski até o raiar do sol e beberei do que a minha sede quiser. O amor me cai mais necessário do que qualquer órgão vital. Talvez seja por isso que me sinto tão enferma.
Detesto ter que me conformar com coisas que pra mim são inconformáveis. Eu não sei gostar e desgostar assim, de repente. Então não adentre em minha vida
como um estranho adentra numa sala. E não queira minha pele por fraqueza.
Meus olhos são tão nús quanto meu corpo quando desnudo. E não aguentarás meu sabor na tua boca: sou ácida. Minha verdade é corrosiva, tanto que às vezes me evito. É saudável me esquecer.
Talvez isto só me traga dor. Talvez eu seja cada vez mais prolixa. Talvez eu acabe sempre no talvez.

domingo, 20 de setembro de 2009

Restam em mim restos de uma vida consumada, consumida de afetos e seus desafetos, guiadas por razões e seus entorpecentes desvios.
Há ainda o impulso de quem vive na esperança, de quem espera um dia ser mais últil para si mesma.
Sanar essas turbulências e aquietar estes gritos, apagar a lembrança nostálgica da saudade do não vivido. Despregar de mim todos estes males, sejam eles estes hábitos de me esgotar em excessos, sejam eles a tua incompreensível partida.
Que conviver comigo seja mais confortável. Que acalme em mim estes involuntários desejos de ser, somente ser e não ter de me explicar ou entender.
Que eu me conforme com o ciclo absurdo da vida. É que nascer e morrer me serão eternos por quês.
E se amar não me fosse tão necessário, que ao menos me fizesse mais branda e não tão intensa. Que amar seja recíproco e que me dê doses de serenidade.
Que viver me deixe de ser esta busca ridícula do impossível.

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