sábado, 26 de dezembro de 2009

Pisava fundo esperando que o amanhã trouxesse o agradável. E vinha o amanhã, mas nunca o agradável. Perdi-me num tempo sem distância ou ponteiros. Uma vítima da própria loucura de querer clareza. E sou turva, ilegível.
Conservo-me nem por fora e muito menos por dentro: cansei do exílio.
Espero de mim, tanto, agora, a chegada, porque só vejo partida.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fatalité

Não sei de horários e datas, não atendo a porta e desliguei os telefones. Quero me zerar, me anular do mundo
para que as coisas voltem ao início, mas não sei bem onde comecei, só sei que não quero continuar me perdendo assim.
Abro as janelas, deixo gotejar aqui dentro. Me debruço pra ver as vidas passando e a minha aqui, paralisada.
Sou de urgências, de entregas, de impulsos, de agora ou nunca. Me jogo no que acredito, e tenho acreditado pouco.
Me chamaria de incontável, tanto para meus desgastes quanto para minhas alegrias. Não engulo o que
me chega de inesperado, muito menos o que vai para não mais voltar.
É insuportável para mim que um dia as coisas cheguem ao seu devido fim. Vivo tentando me acostumar com a vida mas
é sempre difícil, nunca é a mesma, mesmo sendo tão óbvia.
Às vezes sou tão submissa ao que sinto, tão entregue ao perigo que corre dentro
de mim. Agora, dentro e fora só avisto deserto.

domingo, 29 de novembro de 2009

Livrai-me dos minúsculos e suas minúcias ridículas.
Livra-me desta dor que me ofusca os sentidos; dai-me doses diárias de paz.
Livrai-me desta cobrança do que jamais serei. Desta eterna busca do que não sei.
Perdoai-me por este contrário que insisto em permanecer.
Perdoai-me se sou cruel aos teus olhos: sou humana.
Resgatai-me a extinta fé, resgatai-me a esperança infantil de quem um dia creu.
Livrai-me dos amores sofridos e das noites pálidas e caladas de remorso.
Dai-me coragem para enfrentar-me e enfrentar-te.
Perdoai-me se sou pecadora. Creio que o pecado está nos olhos dos minúsculos.
Perdoai-me se desejo mais. Sou inesgotável com meu querer.
Dai-me braços e abrigo.
Livrai-me dos exageros que me envenenam.
Resgatai-me o gosto pelo simples e imaterial.
Ajudai-me que já não tenho para onde fugir. Insistentemente colido comigo, e não entendo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Às vezes acordo com uma vontade enorme de apagar tudo. Com uma culpa gigante da minha infelicidade e da tua também. Construo e destruo ilusões, acabo sempre me lamentando pelos inesgotáveis desafetos. Minha sede de tudo
é tanta que às vezes acabo sem nada, toda destruída, sem amanhã nem depois.
Me permito por dias me esquecer um pouco. Preciso me poupar de mim mesma pra que tudo siga bem na medida do possível, ainda que pareça impossível seguir.
Quero cessar meus encantos por enquanto. Preciso de um pouco de paz, sem entregas e perdas. Essa minha vontade de ir embora é a mais pura fragilidade de quem não quer encarar o real. E dói.
Penso tanto nas pessoas, escrevo cartas pra ninguém, bebo e fico paralisada em frente a janela. O telefone mudo, um silêncio insuportável nos tímpanos e uma lembrança maçante no peito. Não entendo nada e quero mais é dormir pra esquecer, acordar no dia seguinte e me atolar numa distração qualquer pra que tudo pareça estar bem mas não, não está. Não posso ficar presa nessa ausência de compreensão. Ausência de tudo o que me conforte. Estou completamente sóbria e nem um pouco calma. Sei que estou patética e dolorida. O importante é jogar as cinzas no lixo, tomar um banho e colocar cafeína na garganta. Preciso recomeçar a todo instante. Jogar o cansaço ralo abaixo e me convencer que logo o tempo desloca esse desespero.

sábado, 14 de novembro de 2009

Vastidão

Estou num tempo caótico, tenho necessidade de opções plurais e de sensações singulares. Tenho asas, tenho sonhos. Tenho gosto pelo vasto.
Meus desejos são desorganizados, mutáveis. De exato em mim somente minha desordem. Estou em chamas, sem freios,
entregue ao sujo e ao belo. Meus olhos são inquietos, meu corpo não
se cala. Sou cheia de verdades e alguns exageros, algumas loucuras e uma lucidez que por vezes me estraga a saúde.
Liberdade vem de dentro pra fora. Nasce quando a gente deixa de se culpar. Me limitam porque são presos à si mesmos.
Não me preocupo em me entender. Gosto de me sentir ácida e misteriosa.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Es corto el amor, y que largo es el olvido...

Te quero mas não quero ninguém. Amanheço mas quero dormir. Sou feliz mas sofro. Raciocino mas sou impulsiva.
Sou um contraste. Meu abismo, minha salvação.
Não espero, só quero, só mantenho esperança, só me entrego no que gosto e não somente no que acredito. Te gosto,
mas tenho medo. Não te creio.
Não me sabem, não me sentem. Sou um imperceptível ponto na massa, na aglomeração de vidas esquecidas, não vividas.
Me usas para alimentar teu desejo, mas quero tudo, ou nada.
Não aceito metades porque sou inteira. Sou eu só e sou muitas. De tantas, todas inomeáveis, inexplicáveis, apenas sentidas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Days are lazy, days are tired, days are wasted... as I am.

Mastigar uma borracha com gosto de menta para disfarçar a ansiedade. Borracha que, vive mais que você e engana tão
bem quanto. Pedaço de mentira que se mastiga.
Beber água para afogar a sede, amaciar a garganta. Sim, me destrói insistir.
E então, encarar meus olhos fundos e cansados de frente para o espelho. Encarar teu olho grudado no meu, essa
insistência de tentar me ler, não, não vai dar certo. Se nem eu me sei, então não tente me saber. Suas mentiras
são fatais porque são ditas de encontro com meu olhar. E eu vou sempre sofrer por sentir que não sou sentida como
deveria ser. Por favor, saia. Não entre se não souber lidar comigo. Não quero essas idas e vindas, estas facadas
diárias deste sentimento tão doce e tão cruel.
Entrei numa rotina que parece impossível de acabar. Tem sido insuportável amanhecer sempre com fadiga na alma.
Preciso tanto sentir. Preciso tanto provar pra mim mesma que estou viva, que existem os dias de plena felicidade,
os momentos de êxtase sem substâncias, mas não, eles parecem cada vez mais distantes.
Eu imploro: me deixa seguir. Essa dor me regride. Não admito estes meios termos, essa falta de coragem de se
encarar. Tem uma parte em mim que é linda e eu não quero perdê-la.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Son tan escuras de entender estas cosas interiores..."

Olha, sou complicada. Sou enrolada na minha infinidade de sentimentos. Faço drama, comédia e romance porque sinto tédio da vida. Não me espelho em ninguém porque ninguém sabe o que é certo. Não há o certo. Há o menos
incômodo ao próximo e pronto. A vida se trata de agrados aos outros pois de fato sua felicidade não é tão importante, desde que isso não me faça infeliz. Entende? Não importa.
Vou escrever em guardanapos meus pensamentos. Terei lapsos filosóficos,
lerei Bukowski até o raiar do sol e beberei do que a minha sede quiser. O amor me cai mais necessário do que qualquer órgão vital. Talvez seja por isso que me sinto tão enferma.
Detesto ter que me conformar com coisas que pra mim são inconformáveis. Eu não sei gostar e desgostar assim, de repente. Então não adentre em minha vida
como um estranho adentra numa sala. E não queira minha pele por fraqueza.
Meus olhos são tão nús quanto meu corpo quando desnudo. E não aguentarás meu sabor na tua boca: sou ácida. Minha verdade é corrosiva, tanto que às vezes me evito. É saudável me esquecer.
Talvez isto só me traga dor. Talvez eu seja cada vez mais prolixa. Talvez eu acabe sempre no talvez.

domingo, 20 de setembro de 2009

Restam em mim restos de uma vida consumada, consumida de afetos e seus desafetos, guiadas por razões e seus entorpecentes desvios.
Há ainda o impulso de quem vive na esperança, de quem espera um dia ser mais últil para si mesma.
Sanar essas turbulências e aquietar estes gritos, apagar a lembrança nostálgica da saudade do não vivido. Despregar de mim todos estes males, sejam eles estes hábitos de me esgotar em excessos, sejam eles a tua incompreensível partida.
Que conviver comigo seja mais confortável. Que acalme em mim estes involuntários desejos de ser, somente ser e não ter de me explicar ou entender.
Que eu me conforme com o ciclo absurdo da vida. É que nascer e morrer me serão eternos por quês.
E se amar não me fosse tão necessário, que ao menos me fizesse mais branda e não tão intensa. Que amar seja recíproco e que me dê doses de serenidade.
Que viver me deixe de ser esta busca ridícula do impossível.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não estou desesperada. Nada além do que eu sempre fui. Não posso querer me afundar em distração nenhuma porque estarei errada, seguindo no caminho torto pra depois voltar para a estrada em linha reta, fluir lentamente naquele tráfego de pessoas que aceitam, mas eu sempre desvio ou acelero quando não devo, quando dizem pra que eu não vá. Preciso parar de encontrar um sentido pra tudo. Por trás desta carne há um mundo, uma infinidade de coisas jamais compreendidas, nem tampouco nomeadas. É aquilo que pulsa e pronto. É por isso que não sou exata em nada, porque me deixo guiar pelo pulsante. Não posso definir o que quero, acho que é felicidade, acho que é paz, acho que é não viver assim, nesse caos.Me tira desse limite, me socorre dessa dor imensa e dessa solidão acompanhada. Preciso ser o contrário do que sou.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

"...acorda, escuta."

Depois de dois quilos, sete meses e algumas gramas, voltei a ver-te.
Sentado distante com os olhar de éter e os lábios desgrudados, me tomou a mão quando passei como se não o houvesse visto.
Pressionou-me contra o seu peito e desviou os olhos dos meus. Nunca teve força para me olhar no fundo. Acho que te cegaria ver tanto.
Rezei, escrevi, viajei, conheci gente nova, bebi, tive crises alérgicas, mudei meu cabelo, me afundei em filmes, músicas, literatura, e nada, absolutamente nada te tirou de mim.
Depois dessas noites sem sono e desses dias mal vividos, você continua supondo que sou o que supostamente não sou, e desejando violar meu corpo.
Lembro que, teu cheiro ficava por dias na minha roupa, e não havia coragem suficiente para apagar teu último vestígio em mim.
O tempo correu lento, meus esforços se fizeram insuficientes, meu peito pulsava de dor e a necessidade de coisas surpreendentes aumentava a cada dia. A vida me cansava por nada acontecer, por estar sempre no mesmo eixo tedioso de ser.
Penso agora que te quis como distração para as minhas dores e para as minhas alegrias.
Ainda não tem fim, tem o repouso daquela voz drástica que me fazia insistir em você, que nunca vai ser o bastante para mim, vai sempre me deixar, e então se eu te tivesse em mãos me cansaria da tua falta de êxtase, já que amo demais, quero demais, sofro demais, bebo demais, me descontrolo demais, te quero demais. É tudo um transbordamento.
Eu olho para os outros tentando me achar, tentando querer sem me entregar ou me ausentar, já que ando tão extrema.
Com o tempo tudo vai diminuir, aumentar e se transformar. Só não acredito que algo que tenha vivido aqui vá um dia morrer em mim.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Queria te abraçar agora e despejar minhas dores convertidas em lágrimas e murmúrios não contidos.
Acho sempre que um dia ainda vou encontrar abrigo em alguém. Nada parcial, nada temporário.
Sei que minhas frases impulsivas te assustam, e que meus modos inconstantes te afastam. Não consigo me regrar, me moldar para servir em algo ou alguém.
E não, eu não quero morrer. Tenho muita vontade de vivenciar essas distrações que inventaram pra ocuparem a gente enquanto vivemos. As drogas, os exercícios
físicos, as músicas, os livros, a televisão, os sapatos, os perfumes, a dança, os sabores e tudo aquilo que a gente nunca vai descobrir por completo.
Mas eu tenho pressa, tenho ânsia de pisar no chão e me jogar na vida. Que meu tempo seja curto, mas que seja suficiente e tão intenso quanto o que queima dentro de mim.
Eu esperava que as coisas que eu conhecesse fossem preenchendo as lacunas que haviam em mim, mas quanto mais eu conheço, mais lacunas se abrem.
E então as coisas não são mais bonitas ou confortáveis. Tudo passa a ser mais detalhado, mais visto de perto. Me vejo tão de perto que me assusto.
Quando alguém conhece sua dimensão é sempre assustador, e sei que ainda tenho muito mais pra ser.
Não tenho paciência de esperar que amanhã melhore. Se hoje não está bom, então amanhã não vai estar, e eu quero que esteja logo.
Todas essas indas e vindas, estas guerras e mortes, estes nascimentos, as overdoses e a fome, e eu aqui, me martirizando com a minha dor que é pequena
quando posta ao lado das dores do mundo. É que tenho necessidade de me pensar, de ser singular pelo menos aqui dentro de mim, já que lá
fora sou só mais uma.
Que facada no peito é essa vida, não?! Eu aqui te escrevendo tudo o que eu não saberia dizer por voz, e tentando imaginar a tua cara. Imagino que você
pense que eu deva crescer, e que a minha própria dimensão não chegou nem a metade. Pode imaginar, não estou tentando me explicar. Estou tentando
desabafar com as palavras pra poder acordar mais leve amanhã.
Não existe nada exato pra te dizer. Tenho asas, pés que se dividem entre o pisar e o voar.
Vai sempre faltar alguma coisa, nunca estarei concluída. Eu espero, as coisas brecam, o tempo corre, a minha ordem é uma desordem.
É este meu hábito de contradizer que me faz propositalmente avessa.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Você vem, me segura pelas mãos dizendo pra eu não ir. Você sabe, não adianta.
Minhas vontades falam mais alto que meus limites. Tem tanto mundo lá fora e eu não vou me prender.
Meu maior medo é me entrevar. É não conseguir sair do que eu sou ou de quem eu amo. Tudo o que me faz bem vira excesso, e me protrifica mais tarde.
É por isso que eu mudo, que eu nunca me basto.
Tarde demais pra tentar voltar atrás. Queria te dizer um amontoado de coisas, e vou. Queria acordar num sábado e ir para Buenos Aires. Queria te ligar
ainda sóbria e dizer que meu maior erro não foi você, e sim meu orgulho. Que eu te quero porque minha vaidade te deseja, e que eu não tenho sido tão doce,
tão compreensiva.
As coisas são complicadas demais pra entender, mas eu gosto de tentar. Me perdoa se eu quero viver. Tenho meu ritmo de querer morrer, sair andando sem olhar pra trás. Tenho necessidade de sofrer porque sei que sou capaz de transformar minha dor em conforto, e nada é tão delicioso quanto se levantar do seu próprio fracasso.
Minha vida foi vivida pelos olhos, pelas milhas, pelas horas. Tudo nasceu comigo e eu fui levando, fui aprimorando, piorando.
Essas fugas são pra tentar me fazer feliz, ou afastar a tristeza.
Não tenho medo de ir. Se você não se joga você não cai, mas também não voa.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Emaranhado.

São dias, noites, semanas, meses e até anos tentando consertar aquele silêncio incômodo, uma sensação de distância, uma constância da falta que assusta.
O toque não passa da epiderme. O vínculo, um vício.
Eu queria me desvincular dessa rotina ordinária. Não de fazer, mas de sentir.
Minha vida ainda é breve, ainda é nova, e eu me sinto tão gasta, tão ridiculamente usada.
Aos poucos me canso de sofrer. Me nego, me afasto do límpido.
Minto para me tentar fazer feliz. As coisas são simples quando não pensadas e não tocadas, é
que quero além da matéria.
Meu coração se secou. Sou um deserto por dentro e por fora.
Vivo num tempo destrinchado em memórias, tempo de espera contínua.
Meu desespero é incompreendido. Se falado ou calado, é sempre loucura.
É estranho sentir dormência quando a outra metade grita.
Acho que parte de mim é vontade, a outra parte é medo de me enfrentar.
Na verdade eu não quero ter que me apegar. Sei que num breve fim, tudo se aleja de mim.
Devo parar com a mania de querer limpar os sujos e adestrar o mundo, já que ele não me pertence e eu jamais pertencerei.
A vida tenta me regrar e eu escapo. Sou sempre o acúmulo de células que caminha, que pressente, que agrava.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Domingo, 5 de julho de 2009. 04:14 AM.

O que eu sei, é que tudo que eu menos quis ser é o que hoje eu sou.
Acumulei grossas camadas de desencontros e um amontoado de falências.
Deixei extinguir, deixei acumular. Desordenei tudo o que havia de ordenado e contrariei cada significado pronto.
Não são minhas gavetas ou meus armários, minhas peças de roupas amarrotadas e meus cadernos com folhas rabiscadas. Eu nunca me calei por dentro e minha atenção nunca foi direcionada à uma só coisa.
Minha desorganização parte de dentro, e eu me perco por fragilidade de não querer me encontrar, de encontrar e só então me perder. É tudo extremo, é tudo avesso, inconformado, gritante.
Tantas vezes eu evitei os espelhos para não dar de cara com a minha opacidade, meu desgosto travestido em olhos fundos e remotos, em lábios que não se desgrudavam nem para sorrir.
Me vi corrompida, ajoelhada de olhos cerrados e aos murmúrios dizia que queria ir embora.
A distância ou a proximidade tinha que vir de mim mesma e de todos os meus traumas, meus desajustes e desesperanças.
A vida sou eu, dentro e fora de mim. Só basta me conformar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009


Nasci do outro lado do globo, desde meu menor indício de vida eu era minoria.
Sempre tive uma vontade desconfortável de querer ir embora. Não sei pra onde, não sei pra quê.
Sou estrangeira aqui e lá, em todos os lugares possíveis.
Toda minha vontade de ir embora é na verdade o desejo oculto de paz. Sim, eu quero conforto dentro e fora de mim. Tenho necessidade de ser compreendida, ou minimamente respeitada.
Não sou parte de nada e nem de ninguém.
Eu me escapo, me desregro, me mato, me negativizo. Pra o que eu sinto não tem limite.
Já fui cega, e era mais feliz. Troquei a felicidade gratuita pela lucidez.
Me lembro que quando pequena, sentava na máquina de costura da minha avó e passava horas olhando pela janela.
Me lembro da constante vontade de ser lembrada, da mania de calçar sapatos que não eram meus, da paixão pelo desconhecido e da mais imensa esperança de viver.
Eu mudei. Deixei um tanto de acreditar. Me comovi com a impossibilidade de certos acontecimentos. Perdi pessoas que ainda vejo, perdi pessoas que não verei jamais. Desacreditei em casamento, religião e televisão.
Mas veja, não mudei tanto assim. Ainda passo horas detrás da vidraça olhando lá fora, tenho sede pelo desconhecido, calço sapatos não meus - mas desta vez, figuramente falando.
A data do meu nascimento é um engano. Na verdade, já nasci e morri tantas vezes que perdi a conta.
Não gosto de resumos. Minha vida não vai ser um texto ou uma estrofe, e sim uma biblioteca toda.
Me ocorreu ser assim, um dia passa, um dia volta. Talvez não se tratem de dias e sim de uma vida toda.
Que seja, me deixo ser.



Feliz dia do espermatozóide vencedor pra mim, che!

domingo, 12 de julho de 2009

O que sinto não se trata de fase. Não se categoriza um estágio meu. Sou constantemente difusa, e não me agrada que nomeiem minhas sobrevivências, ou mortes.
Não gosto de coisas mornas e sem gosto, não aturo pouco quando se pode dar mais.
Se a casa está cheia e as ruas estão tumultuadas, eu estou sempre trancafiada dentro de mim, essencialmente só e distanciada de toda essa lucidez barata.
Meus diálogos não são programados, acho até que tenho sido demasiadamente impulsiva. Minha sede tem aumentado, assim como minhas expectativas.
Que meu mundo desabe e que não saibam me amar quantas vezes for preciso. Coincido em gostar de pessoas inacabadas que não me valoram. É um inferno convidativo.
Gosto de sentir e ser sentida.
Imploro à mim mesma que as coisas se tornem menos exaustivas e que, talvez se eu soubesse dissimular, seria mais fácil me engolir. Não adianta: de mim não sairão nada além de verdades. Coisas minhas, coisas frágeis, coisas sólidas, coisas loucas.

sábado, 4 de julho de 2009

Todo o leviano tem me feito nula, e não me aceito como superficial.
Da entrega à quem, dos horários avessos, dos excessos em não querer me danificar por dentro.
Tenho abusado de minha ausência, e venho me esquecendo assim como me esquecem.
Ainda que árduo, tudo que digo é de extrema veracidade, e incomoda ser verdadeira nesse ajuntamento de enganos.
Por mais anestésica que seja a mentira ou a palavra não dita, seria incabível não me formar de mistérios à mim mesma, à quem quer que seja. Se me abuso, se me ausento ou se me prendo em algo, é por não saber me unificar. Sou muitas formas de ser e não ser em uma só.

terça-feira, 23 de junho de 2009

23/06/2009


Se não me olha fundo nos olhos é porque não me conhece, tem medo. Se o gosto
do tabaco arde na minha garganta ou se tuas mãos me enlaçam a cintura, já
não importa. Nada que etanol nas veias não faça desviar. Nada
que um longo banho gelado não fizesse esquecer. Mas tem algo que me tateia a pele e me
invade os ecos, aquilo que não tem nome, aquilo que não se vê, que não se explica.
Você, um estranho pra mim. Eu, uma estranha pra mim. Duas vidas desconhecidas,
atraídas por formas distintas, de modos misturados e confusos. Duas vontades que quando
pensadas, eram explosivas.
É sempre estrondoso me tirar da rotina da obediência. As possibilidades são sempre
estreitas, mas me levavam à amplos caminhos. Meu medo é de me perder fora de mim.
Aqui por dentro tá tudo remexido, flutuando em constante movimento. Lá fóra as coisas
perdem a dimensão e se misturam com o êxtase. Meu medo é não ter onde encostar a cabeça,
é ter esse gosto pela contradição.
Eu suspirava sozinha pensando que tudo isso não passava de uma ausência que existe dentro
de mim. Eu falto à mim mesma, ou me tenho em excesso. Deve ser isso.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Aqui.

Tentei me interessar pelo que fosse me distrair e confortar, mas bem sei que de nada conforta pensar.
Parece cada vez mais estranho se ecoa por dentro e passo a ser mero figurante, ou a carregar nitidez isolada, nada que seja de mínima importância aos outros.
Meu esforço agora deveria ser o desapego. As coisas não vão voltar a ser como eram. Aquele gosto doce na boca e os olhos reluzentes de quem tinha no peito não a espera, mas a esperança.
Agora, ausência. Seja por silêncio do que poderia ser dito, ou por perda
de quem poderia ter encontrado. Podia, mas não foi.
Nestes anos de promessas rotineiras de que tudo vai se ajeitar e eu vou mudar. Pobre de mim. Não me adequo nem às minhas próprias regras.
Minhas fugas eram físicas, eram sentimentais. Passava dias me afastando de mim mesma, pra não doer, sabe.
Há gravidade no que sinto. Seja de perigo, seja de queda. É livre a queda, é livre aqui dentro, em mim.

sábado, 6 de junho de 2009

Sem solução.

Era isso: um descuido com si mesma.
De vida opaca e raramente diluída, como uma realidade difusa.
Nada poderia ser mais terrível do que a contínua tentativa frustrada de vida.
Não poderia jamais compreender o avesso em que tudo parecia estar.
Nada seria mais antigo do que passar horas a fio tentando se consolar que não era a única, mas não haveriam outros tão próximos, o que expandiria a possibilidade de solidão por forçada vontade.
Depois de tanto carregar, já não sentia que o que viesse fosse ser um peso; já havia se acostumado com as ásperas presenças, com as dilascerantes ausências. Como se cada um que sorrise fosse trazer uma leve esperança de vida.
Ao contrário, a tomavam cada pedaço com as duas mãos e unhas afiadas.
Como de costume, ficava aquele nó no peito e os músculos cansados.
Era isso: aquele mau hábito de sofrer, ou a predestinação de.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Rústico

Esmurrou minha janela esta manhã uma rude saudade.
E adentrou.
Não suporto finais implícitos.
Hesitaste render-se à tua própria vontade: bebeste de teu próprio veneno.
Saboreei por longas horas o gosto das lágrimas e ouvi o contínuo ronco do estômago.
Havia me esquecido desses inícios inesperados de contusões sentimentais.
Do que sinto, és mero analfabeto.
Persegue meu tato firme, confirma a cada instante a ausência tua.
Era doce coincidir contigo.


Escrito em vinte e três de maio de dois mil e nove às 02:05 da manhã.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Pra não dizer que eu não disse.

Eu nunca chorei por você. Eu chorei pelas noites em branco que eu passei,
pelo estômago que não queria nada, pelas insaciáveis vontades de suprir o vão, por me precipitar ao te deixar entrar. De nada adiantaria tentar te explicar porque você jamais entenderia. Gente como você se desvia da realidade, se ilude nas noites com uma bebida cara, beija os lábios de uma desconhecida e acha que é feliz.
Gente como você não se estabiliza, trabalha e sente sempre uma ausência que não sabe explicar, pois nunca se quer parou para tentar entender. Vai levando a vida como se fosse um jogo, vai engolindo o choro pra não mostrar fraqueza, vai perdendo a hora, vai perdendo o sentido.
Gente como eu não se basta em existir, une a vida com o verbo e suporta a estrondosa morte diária, embarca
na dificuldade de tentar compreender, mesmo que tudo pareça errôneo, mesmo que não hajam seres suficientemente
pensantes que sentem ao teu lado e te dêem ouvidos, ou melhor, o coração.
Assim, tão cansada de não achar sentido pra nada, de perder mais do que ganhar, de buscar
um equilíbrio que me permita ainda sim sentir e jamais deslocar.
Continuo acordando no meio da noite, ainda ligo o rádio e abro a janela, ainda sou insone pelas manhãs, ainda troco de canal a cada dez minutos, ainda tomo café o dia todo e ainda reviro na cama sem parar.
Ando ignorando as aproximações e amando pouco. Adoro sorrir para estranhos e desligar os telefones, tentar parar de querer entender e deixar rolar, mas não consigo encontrar nada que seja suficiente para me calar, e
nem quero. Obviedade me dá rugas.
Naquela noite você foi e acabou pra nós, acabou até algum dia, até nunca 
mais. Logo, começou. Está sendo lindo cada tropeço, cada erguida.
Você sabe, estou sempre esperando algo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Em branco.


Pensar no nada absoluto me deixou extramente constrangida. 
Quando não me preocupo em admirar ou destrair, quando qualquer enfeite é mero detalhe aos olhos já distantes.
Como se eu não me perdoasse por sossegar os pavores insanos e aquietar os berros.
Nada acontecer é como um coma, e eu não me permitiria viver como vivem.
Tinha sim meu tempo para as dúvidas, para sentar-me de frente para a parede branca e chorar com profundo desespero, e não ser a parede branca como tenho sido.
Vinham as frases de impacto que em mim nada impactavam, vinham as pessoas interessantes que me desinteressavam, vinha o alto valor do reluzente que reluzia somente meu desprezo. 
Estava como uma ausente de emoções congeladas.
Talvez fosse um alívio deslocar a dor, mas também imperdoável não ser consciente.
Assusta a velocidade com que tardam e passam as coisas. E eu não poderia me deixar passar, jamais admitiria ser feliz e me deixar de lado. 
Como vãos na multidão, como um contínuo desafino no ritmo híbrido de sentir.
Como atravessar a avenida na faixa com o farol fechado, como manter-se virgem até o casamento. Perde a graça.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lucidez custa sim os olhos da cara.

Sentou-se semi desnuda em frente ao espelho e chorou como um recém-nascido.
E de fato nascia a cada instante, assim como morria também.
Era como um espirro: desconfortante antes e depois.

Pensara que ainda no mesmo dia pela manhã, um senhor de olhos profundamente verdes a olhara
com espanto, como se houvesse adentrado em suas veias, e palpitado junto com suas dores, como se houvesse
descoberto a calamidade que em sua alma pairava.
Mas não, apenas estranhou tamanha desordem num ser recém-nascido. Tamanha tristeza refletida no olhar,
logo tão cedo no dia, logo tão cedo no tempo de vida.

Então, horas a fio sentada alí, lamentando-se aos gritos não contidos em frente ao espelho, inconformada com tamanha irracionalidade própria.
Como poderia deixar-se protrificar tanto? Não imaginara tanto eco em si mesma.
Projetara num ser distinto seu pior lado: o banal. E gostava de sentir banalidade naqueles braços frios, pois de certo modo confortava não ser somente uma presença, já que era agora uma lembrança.
Em meio há tanta fossa, não permitira matar-se por outro, e sim por si só. 
Mas não podia, pois restava no fundo de alguma veia latejante de seu coração uma minúscula vontade.
Admitira em silêncio à si mesma que vontade se tratava de vida.
Não é vergonhoso querer viver. Vergonhoso é não poder. É se entrevar como lá estava, sempre presa à algo, sempre algemada à álguém.
Trata-se de demência existencial, deficiência afetiva do passado, do presente: de si mesma.

O que mais impressionava era toda essa complicação.
Se a face tinha olheiras, se os lábios não eram fartos, se o cabelo não era domado, já não importava.
Importava o grande trânsito emocional que derrubava cada sentido lúcido de si mesma.
Liberdade era livrar-se dos próprios monstros, era deixar ir e vir, era amar sem engano, era parar de ser sempre aquela recém-nascida que de tanto sabia, mas de nada conhecia.

Chorou de perder o ar e já não podia mais ofegar.
Caminhou lento ao chuveiro e estatelou-se contra o chão.
Gastara as águas do mundo para sentir alívio, um grave sinal de egocentrismo.
Quisera dar-se ao luxo de nascer de novo. Dessa vez não de alma, mas sim de corpo, mas talvez jamais fosse suficiente.
Talvez a vida seja um carma que pese imensurávelmente sobre seus ombros.
Talvez a vida seja uma folha que voa com altos e baixos pelo ar.
Talvez ela fosse um descartável ser insone que perambulava pelas avenidas de si mesma.
Talvez fosse o caos, o belo, o pouco, o nada, o tudo.
E era.

quinta-feira, 14 de maio de 2009


Mede-se uma dor cautelosamente provocada pelos retalhos do pouco ocorrido.
Um momento de ferida exposta, uma eterna cicatriz.
De conturbada, basto eu.
Na mesma margem estivemos, mas jamais na mesma dimensão.
A sintonia do corpo meu não se explica, não se encontra, não com a tua.
Todas essas tardes cinzentas de inverno, todas essas noites de êxtase solitário, todas aquelas análises, todos aqueles calmantes, todo aquele sabor de tabaco colado na minha língua, todo aquele amor inacabado latejando lá dentro, aquelas madrugadas de olhos arregalados, aquelas manhãs sonolentas, aqueles dias gastos em vão, toda essa grandeza que em mim habita, todo esse vazio que em mim abriga, me fez mais humana, me fez mais vivida.
Sentir é perigoso, mas eu gosto assim.

domingo, 10 de maio de 2009

Flogose Reflexiva

Entrevada numa constante intranquilidade,
solidificada em meio aos outros.
Estes olhos meus, agora e sempre enxarcados, distantes.
Consciente de ti e de mim, me congelo.
Descrente de tudo e de todos, me ausento.
Não sou grande realista, tampouco grande existencialista.
Sou este rosto pálido, este resultado vago de um desprezo teu, 
esta extensa contradição, estas estúpidas vontades de.
Minha intensidade está no que desejo, no que oculto, no que mostro.
Mas não faz sentido e nunca fará. Não entendo e nunca entenderei.
Nunca pensei cair no cansaço de me ser.
Sempre tive tanta sede, e hoje tenho fome, tenho buracos na alma e no estômago.
Escrevo para tentar explicar a mim mesma que não tenho remédio, e ponto.

sexta-feira, 8 de maio de 2009



Não entendes meu desnorteio, não imaginas o inferno em que resido.
Me sinto debilitada diante desta antítese emocional que nos separa.
Por tanto que atravessamos, e por tanto que dividimos, não sei desligar-te de minhas rotinas, já que asfixio sem tua presença.
Te amo como passado, como presente, e sem ti, meu futuro seria incerto.
Perdoa-me pelo que sou.
Aceita-me que te aceito também.
Não condene meu desarranjo de ser, não julgue minhas infelicidades.
De modo que não mudaria, também não viveria sem ti.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Un trocito de cada uno.

Tenho meu universo particular, tenho minha bagunça meticulosamente desorganizada,
tenho imprecisão nos meus horários, tenho os músculos mastigados,
tenho uma extensa necessidade de sumir, de encontrar, de dizer, de calar, de amar e ser amada,  de entender.
Diante dessas horas gastas que te envelhecem a pele, desses dias pra viver e não ser,
eu corro, eu me abasteço de um pouco de sonho.
Sonho pra ter o que viver, para almejar.
Nem tudo é poesia, nem tudo é tristeza, nem tudo é alegria.
Um pouco de cada, um pouco do mundo.
Prefiro assim.

sexta-feira, 1 de maio de 2009


Uns demoram a vida toda pra descobrir, outros jamais descobrem.
Descobri à mim mesma, colidi com meu eu.
Fiz-me incompreensível aos outros, isolei-me de própria vontade.
Só não quero deixar me amargar, fazer da consciência um eterno desconforto.
Basta me encontrar para me perder, basta pensar para sofrer.
Só então entendo os felizes: não pensam.
Minha vida é pensada, e tenho tanto, 
que jamais abandonaria meu pensamento.
De tanto, me tornei pouco: pouco feliz, pouco apaixonada, pouco alienada.
Tão raros são aqueles que me persuadem, tão breves, tão escassos.
Não preciso de muito. 
Preciso de um único, um inteiro.
Preciso de certa absolutez para que de algo possa me sentir completa.
Mas o que de fato no presente momento mais necessito é de mim mesma.
Para que haja possibilidade de próprio querer, de próprio fazer.
Há vida, há medo, há ânsia.
Não nego, jamais.

terça-feira, 28 de abril de 2009

9:12 AM


Renegas mais que minha clareza de ser, renegas minha presença.
Renegas minha vontade de partir, renegas o incomum constante que sinto.
Ah meu bem, que fraco foste ao me deixar.
Que insuficiente foram tuas palavras imprecisas, teu imoral desejo de querer meu conturbado externo.
Mergulhas meu coração em vinho ardente que inebria, vicia o doce gosto que depois faz-me de dor latejar para então te apartar das memórias.
Teu silêncio é desprezo, minha vontade de ti, desacordo com a razão.
Sou exatamente o oposto do que supões que eu seja.

domingo, 26 de abril de 2009

Jogada às 03:02 da manhã.

Tudo que eu mais queria era adentrar em meu calabouço particular e disfrutar de minhas-horas-vazias-buscando-sei-lá-o-quê.
Minha boca não era tão calada, meu olhar não tinha tanto desespero.
Acho mesmo que a vida vai te perseguindo, te corrompendo, te consumindo.
Cada dia me torno mais lúcida e isso me assusta.
Mas não adiantam arrependimentos se o que fiz consiste no que sou, e poderia ser pior, ou melhor. São dúzias de possibilidades, suponho.
Me indago incansávelmente pelo que tenho me tornado. Me encaixo no mínimo comum, e assim, nada supre, nada anestesia, nenhum ser oposto encanta.
Essas coisas não viventes ao meu redor que dizem distrair, afligem.
Por mais que tente, o mundo está imóvel e dolorido para mim.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Não de perdas, mas de somas.


Tinha mais do que o corpo e alguns órgãos resmungões.
Tinha a mente efervescente, o coração estilhaçado,
os olhos que diziam por si, e uma inquietante desordem de ser.
Não era carne, essa essência.
Sentia-se à toa, reles. 
Seus desprazeres trivialmente lhe ocorriam.
De tanto tropeçar em desgostos, desabitou-se de esperança.
Tornou-se aparentemente insípida, mas de fato era progressiva,
mesmo que fortemente tendenciosa à decadência.
Era o que sentia, e rotineiramente tentava explanar, entender.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

21:27



Que te pese no peito uma imensurável opressão,
que teus dias sejam combustivos, que tuas noites sejam tão dolorosas quanto as minhas.
Tu, enfeita-te de mentiras, respiras a impulsividade de querer já ou nunca mais.
Se de fato carregasse consciência em tua mente opaca,
verias que não se invade corações, que não se parte de próprio desejo
quando alguém te espera.
Não calculas a imensa dor de ferir-me cruelmente o orgulho.
Destroça-me insistentemente quando negas afeição.
Não veria gosto em querer-me sóbria ao teu lado numa noite qualquer,
de suportar minhas verdades em meio à tuas imoralidades.
Porque não temo me ser perante à ninguém.
Porque não me enfraqueço de razão quando me banhas de palavras frias.
É uma honra comunicar-te que privo-te eternamente de mim.
Que prefiro solidão de estar só e não sozinha acompanhada,
jogada no teu desconfortante superficial amor.

domingo, 12 de abril de 2009

Dama, pobre dama.
Dos cabelos bagunçados, do olhar borrado, dos dramas sem hora.
Acabou num canto qualquer de si mesma.
Desabrigada de doces emoções, ri de suas próprias combustões.
Solidifica as falsas paixões, pisa nos outros corações.
Acredita no que vê, mas o olhar tornou-se seletivo.
Ao redor, o mundo que não habita,
as pessoas que não conhece.
Os encantos se encerram conforme os desencantos.
A mocidade se aleja.
Não olha pra trás mas ouve os passos.
A pior maneira de partir é quando não há adeus.
Incompleta, se inflama em suas próprias chamas.
Deixa partir, deixa doer, deixa seu corpo efervescer.
Pra viver tem de sentir, se diz por aí.


Ps: Peço gentilmente para que comentários anônimos sejam evitados. Agradeço aos elogios, mas agradeceria ainda mais saber de quem provém. 

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fugaz!

Pensa-te.
Tedioso é ser sempre o mesmo.
De púrpura ou negra alma, de mel ou insípido olhar,
não se pode medir-me.
Porque se te pareço fraca, não sou.
Se me vêes como cansativa, não sou.
Mudo, inverto, descasco.
De fato me canso fácil de frouxidão.
Cuida-te.
Te enlacei um arame no pescoço.
Se partir, te desejo ver de peito rasgado, sangrando tua desordem.
Já não tenho piedade, já não anseio.
Não me suponha, jamais.

domingo, 5 de abril de 2009

Rompendo, mantendo.


Decadente como me sei, na aflição dos dias lentos, conto sumiços teus, conto tormentos meus.
Em meu quarto, embriaguez.
A crua e inumana moça esquecida.
Congelada, me anulo na alcoólica espera.
Os lábios colados, envenenados.
Sorrisos nem plásticos, nem forçados.
Interrogo minha falsa lascividade perdida em tuas torpezas.
Derrotada, me comovo com meu próprio desconforto.
Conturbada e imóvel, desespero em versos.
Não posso deglutir estas amargas lembranças.
Ao avesso, largada nos mais cruéis desabraços.
Densa, fadigada.
Imperecível breu, este meu.
Dissolvendo-te da memória, sumindo comigo mesma.
Pupilas inundadas em pranto, retinas embaçadas.
Minha alma se desfazendo, se reconstruíndo, morrendo, renascendo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Reciprocidade

Pra todo e qualquer entendimento deve existir soluços inquietos que habitam a alma. E na garganta, nós de desafetos.
Não se pode querer sentir e tentar compreender sem que ocorram desgraças internas.
Jurei à mim mesma não prestar-me ao papel do óbvio, mas o óbvio vem me acontecendo sem que eu possa controlar.
A vida tem um ciclo medíocre que infelizmente me vejo obrigada a seguir.
Me enamoro dos erros pois sou inteiramente equivocada, e vejo-me refletida em cada excepcionalidade da vida.
Passo por visivelmente patética ao sofrer rotineiramente pelo mesmo.
Sofro por racionalidade combinada à sensibilidade.
Chame de doença, chame de fracasso, chame de mania.
Sou eu e não posso negar, seria perigoso me evitar.
Cairia no desgosto de ser plural.

Recado à quem quer que seja: Se queres uma vida vaga, que vivas às escuras na estupidez de teus dias.
Não mereço insignificância de estranhos, ou semi-conhecidos. Tenho uma história. Não deixarei desabar-me por falta de nexo em tua mente. Que vivas, que morras, mas apartado de mim.

Melina.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Noches de insomnio.


Hoje vi o contar do ponteiro do relógio cada minuto.

O que te parece quando vives numa claustrofobia sem fim?

Quando onde estás não parece te pertencer de fato?

E desafio a tua gramática, a tua semi perfeição à compreender.

Olhe em meus olhos e de pronto desnudarás minha alma em parte.

Porque há ocorrências que levo dentro e não há olhar que desvende.

Minhas mórbidas tristezas cansaram-me inteira.

Deixo-me levar pela ilícita irresponsabilidade dos sentimentos.

E pareces tão infiel,

que me fazes querer despedaçar grotescamente cada parte de seu coração.

Este meu tal que me abandonou e deixou padecer em meu peito um vácuo,

um extremo falso hábito de pulsar.

Não há coerência racional para o que me arrebata.

Não vejo indecência ao não enlaçar-me como uma dama.

É que os bons costumes me desfiam a intocável rotina de cercar-me de

minha própria explosão.

O que conforta se não um abraço terno,

se não a veracidade dos olhos que ainda não me vi refletida?

Me conforta o alívio de poetizar meus entorpecentes.

De combinar rigidamente meu vasto querer ao meu limitado poder.

De irradiar a minha imensa verdade a quem quer que seja.

Invade-me sem fim, pobre farsa de meu desastroso deslize.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sensación ambigua.

Não sinto coragem para enfrentar meus dias.
Sinto um vazio imenso que me possui o corpo.
Assim, recebo sua ausência como morte temporária.
Prefiro crer que nas tuas veias correm o negro
desespero do adeus eterno.
À mim resta eu mesma.
Resta fraqueza para me enfrentar.
Preciso de força para conviver com minha lucidez,
e então dar-me conta que as despedidas são diárias,
que buscarei infinitamente, mesmo que em vão.
Me comove tanto esquecimento.
Não permito que me banalizem.
Não permito que exista tanta irrealidade ao meu redor.
É vergonhoso coincidir sempre com o mesmo,
é mediocre não se coincidir nunca.
Amanhã cedo o dia me espera e eu não quero acordar.
Não tão cedo, não tão só.

domingo, 22 de março de 2009

Num domingo à noite, ou numa vida inteira.


Pareço extremamente imperfeita. Estou num empréstimo, numa tentativa frustrada. Sou desordenada, inacabada. Fui fixada ao vão. A razão desune meu sorriso, que tão fugaz desvanece ao sentir-se impróprio em meu rosto. Não sei se fascino, se encanto. Sei que assusto, sei que afasto. É uma fatalidade ser tão consciente. Viver debruçada em minhas vontades, aceitar melancolicamente o que sinto. Vejo exaustidão sob meus olhos. Fez-se tormenta minha calma, fez-se fato o pressentimento. Espantei-me ao ver-me tão sóbria e lúcida esperando o teu regressar. Suspenderei minhas incertezas. Não devo viver de falsas esperanças. Minha presença tornou-se qualquer coisa.

sábado, 21 de março de 2009


Todos os dias se julgam livres,
mas não há liberdade quando te dizem o que deve fazer.
Dá vergonha viver com eles.
Penso mesmo em abandonar minha alma,
dizer adeus aos meus desatinos e não olhar pra trás.
Vivo pensando no que sou e nunca sou, nunca sei.
E no amor que tão sincero pensei que fosse,
hoje tenho que dissimular pra convencer,
pra engatar o que não vai pra frente.
E se repentinamente eu fingisse não sentir mais,
se distraísse minha dor com as tolices do mundo,
se vivesse de fantasia, como seria?
Que eu fique no canto, que eu fique calada.
Desencantei mesmo dessa gente.
Queria saber negar que não quero afeto, mas quero.
Porque hoje eu não choro mais por ninguém.
Não deixo derramar minhas lágrimas por ingratidão.
Conduzo todo sentimento em certa direção, acredito.
Tem urgência no que sinto, tem ânsia em despejar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Revoltei-me.

Não precisava deste tombo de realidade.
Felicidade parece nunca me encontrar.
Mesmo que soe tarde, irei querer o teu gosto.
Porque quanto mais a busco, mais agonia encontro.
De tanto quero a verdade, de tanto temo de tê-la.
E me envolvo com os erros,
vejo os ângulos aflitos da vida.
Por mais que suceda, permaneço no mesmo beco.
Não sei que sorriso usarei hoje,
não sei em que traje me esconderei neste dia.
Estou certa de que direi adeus de própria vontade.
De que não precisarei de conssentimento pra viver.
Calarei-te a boca com o olhar.
Darei-te segundos pra ir e nunca mais voltar.
Não quero tua pena.
Fraqueza resta pouco em mim.
Fica mesmo é esta incerteza, este sofrimento calado.
Este mundo que em mim contém.

terça-feira, 17 de março de 2009

Tenía tanto que darte.


Ninguém pode viver de esperar.
Entreguei à ti o que sou e de nada adiantou.
Queria frieza para não doer tanto enquanto te espero falar.
Queria congelar-me até os dedos para não sentir esta aflição.
Queria romper esta ausência.
E assim, sem dar-me o valor, partiste sem nada pronunciar.
Parecem ainda não saber que há em mim muito mais que um corpo.
Corpo este que se converteu vitrine para tolos.
Tenho o mundo em mim, aceite.
Nego ceder-me ao teu orgulho.
Nego subestimar-me às tuas vontades.
Voltarei ao meu caos,
implorarei por vida à cada noite.
Arrastarei-me pelas ruas sem razão,
voltarei ao meu eco de pensamentos.
Não dedicarei nada mais à ninguém.
Que tenham-me como desprezo, não me importa.
Quero a liberdade de depender de mim mesma e só.

domingo, 15 de março de 2009

É domingo.

Havia uma agrupação de pessoas tediosas naquela manhã.
Comumente este tipo de gente fala do que não sabe.
Sinto-me sem pernas ao nada fazer quando minha audição é afetada
com os dizeres alheios.
Vivo num calabouço.
Trata-se de uma prisão sombria imperceptível aos olhos.
Alí estavam eles, testemunhando minha mudez.
Preferi me calar diante daquela moléstia.
Seriam odiosas minhas palavras.
Prefiri poupar minhas forças,
calar a violência e a monstruosidade do que tenho à dizer.
Minha saúde não aguenta tanta estupidez.
Se tratariam apenas de palavras, logo esquecidas.
Já exausta pelo dia, deitei minha cabeça sobre
a almofada e me vieram os resmungos daquelas mentes estreitas.
Não consigo descansar.
Minha mente trabalha apressada.
Joguei-me sob o chuveiro e tentei mergulhar meus lamentos do dia.
Se foram pelo ralo.
Senti frescor ao estirar-me em minha cama.
Amanheceu.
Não quis levantar.
Necessitaria de um oceano para tirar-me o que viria.
E veio.
Será um ciclo longícuo, já sei.
Não vai abrandar isso em mim.

Fui abduzida por Graciliano Ramos.

Melina.

quinta-feira, 12 de março de 2009


Há alguns anos atrás uma cartomante tentou me dizer sobre meu destino.
Eu não quis escutar.
Não suportei ouvir minha vida em resumo,
não suportei sentir que tudo não passaria de momentos
para resultar no que já sabemos, no fim.
Não posso deixar que tentem me convencer de que nada devo me importar,
que minha vida será só mais uma em meio há tantas, de que necessito concessão para existir.
Me lembro bem do dia em que não havia resposta para o verbo existir.
O verbo pode sim ser explicado, mas o acontecimento, a existência, não.
Me perguntaram se sou feliz um dia desses, e eu me vi sem o que dizer.
Tenho meus momentos de felicidade, mas preciso parar para pensar neles.
Posso contá-los nos dedos da mão.
Não é que eu viva numa infelicidade constante, mas sim que seja instável tudo isso.
Vivo num meio termo, num quase.
Acredito que quem diz ser feliz todo o tempo é no minímo desconfiável.
Não acredito em pessoas extremas. Alegres ou tristes, excessivas.
Enfim, tenho minhas certezas, mas as incertezas se sobressaem.
Convivo bem comigo mesma.
Existe um acordo pessoal em meu subconsciente.
Tenho de no mínimo me aceitar, e de fato me aceito.
Mas não tente me anestesiar com doses de mentira.
Não sou fraca de mente.
Não quero a minha vida - que tão longa parece - contada em minutos.
Cada grão será suficiente, não há arrependimentos em mim.
Tudo resulta, tudo reflete.
Estou bem assim, mesmo.

terça-feira, 10 de março de 2009

Que tarde caí.


Eu vejo que nada muda, nunca.
Que todos caminham de um lado para o outro sem bem saber onde vai dar.
Que vivem passivamente, e eu não sei viver assim.
Mas que mesmísse árdua.
A vida já me esgota o corpo, não posso imaginar como será.
Não sei sobreviver de normalidade, não sei ignorar os fatos.
Estou cheia de ecos.
Nada me prende a atenção, vivo longe.
Sou inconstante, me desvio fácilmente.
Acho que existe sim paz em mim.
Acho que existe sim quem a traga.
Acima de tudo, quero meu espaço.
Tenho que aprender a conviver com limites.
Tenho que aceitar as perdas, que são tantas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Direito de resposta.

Me tornarei feliz.
Feliz de tão burra que serei.
Talvez assim parem de me cobrar tanta vistosidade.
Sentir não é pecado.
Dizer é ainda menos.
Eu simplesmente não consigo ignorar os fatos, fazer-me de tola como fazem por aí.
Não pergunto se sofrem, então não me perguntem também.
Se escrevo é porque sinto, e tenho motivos para meus infernos pessoais.
Não admitirei rotulações banais sobre como ajo.
Fraco é o que sente e nada faz.
Sinto um nascimento a acontecer, sinto uma longitude do que quero.
Não há leve depressão em mim.
Há intensidade, há um vulcão sempre pronto para explodir.
Nada que se possa ver e dizer, e nem tem tempo de vida que explique.
Quero ainda não o entendimento, mas sim o direito e o respeito
de ser quem sou.

De novo. De próprio punho e própria veracidade,

Melina.

Para mim chega.

Se não sou boa com as palavras, talvez seja porque você não as ouve.
Hoje entrei em desespero absoluto ao ver que minha felicidade de nada te serve.
Teus julgamentos diminuem ainda mais minha extensão.
Meu choro é a tua alegria, só pode ser.
Se em tudo que eu vejo beleza você vê miséria,
se no meu ganho há a sua perda então já não podemos mais ficar assim.
Meu silêncio é tua pacatez , e meus dias se tornam infernos ao lado dos teus.
Entenda que de tudo tentei fazer, mas o ápice absoluto do caos me parece chegar.
Vivo na imensa pressão de andar nos teus sapatos e tentar me ser.
Sou forçada a viver nesta ressaca, nesta opressão que me desmorona.
Sei bem o que tenho me tornado, e isso me assusta.
Minha insensibilidade floresce, herança da tua.
Pode soar infiel, mas é o cansaço sincero do que você quer que eu seja, e sei tão bem que jamais serei.

Melina.

terça-feira, 3 de março de 2009

É sincero.


Misturo fossa com calmante.
Vivo do sono produzido, dos sorrisos plásticos e das falsas impressões.
Sou fruto de uma relação traumática.
Existe uma velha decadente em mim, uma tal cheia de vícios e desgastes.
Ainda não sei se me foi bom encontrar minha dimensão.
Categorizam o que sinto, tentam rotular minha dor.
Ninguém sabe exatamente de mim.
Se sabem, disfarçam conhecimento.
Não passo de invenção.




domingo, 1 de março de 2009

Vinte e duas horas e dezoito minutos

Não há virtude de um que seja a semelhança do outro.
São tortos mas são gente, reconheço.
Deslizam as maldades sem controle.
Jamais haverá arte sem racionalizar, emocionar.
Vivem das emoções do carnaval, das folias inventadas.
Rebeliam sobre o desnecessário.
Não haverá um mundo melhor enquanto ele for habitado por humanos.
Tradicionalizam desde o berço e corrompem um todo.
Muitas vezes penso em desistir.
Não sei se serve pra mim tanta falsa devoção.
Não sei se serei feliz numa rotina de buscas, de estipulações.
A vida é construída.
Você a habita e depois a deixa, como inquilinos.
Talvez deve ser por isso que nunca me senti em casa.

Melina.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Carta de resposta


Acho que o que mais irrita os outros é minha sinceridade. Não sou explícita e nem cheia de alegrias, e isso de algum modo deve comover quem me rodeia. Não gosto de imbecilidade e ela está por toda a parte. Seja o que for, sei que sou má interpretada. Gosto de exageros controlados, entende? Acho que há um limite para tudo na vida. Só não gosto que me imponham nada, e nem que me digam o que tenho que fazer. Sei muito bem até onde posso ir. Existem leis e eu as sigo, existem limites e eu os mantenho. Existem vontades e eu as cumpro, ou pelo menos tento saciá-las. De muito dizem, de pouco fazem. Eu de tão nova que sou já me cansei desta hipocrisia toda. Confesso que tenho preguiça das pessoas, que as evito. De modo que também as necessito, como qualquer humano. Me passa pela cabeça que esta raça nossa é bandida mesmo. Não se respeita, se mata, se atropela. Não culpo somente os que estão por fora. Sei que erro porque sou humana, e esta é a maior prova. Tenho altos índices de sentimento. Às vezes bom, muitas vezes não. Que se dane o que faço dele então. É meu e ninguém pode tirar. Mantenho um ritmo, alterno horários e me sinto livre com isso. Me apaixono sim, disso não nego. Mas minhas paixões não passam de platonismo e isso também machuca. Lidar com o outro é sempre uma surpresa, seja ela doce ou azeda. Ando pensando bastante na vida e isso me fez uma pessoa triste, conflitante. Sei que preciso de um equilíbrio entre o que penso e o que faço. Ando impulsiva, com os nervos gritantes. Se me vier a vontade de um novo começo, começarei. O tempo é um grande problema também. Parece eterno, parece curto. Depende do que sinto. Tem mais do que uma mente, um corpo: há um coração. Não é feio falar de sentimento. É que hoje vulgarizam este tal. Está tudo invertido, fora do eixo. Isso me irrita também. Ultrapassa a obviedade, vai além do que se pode explicar. Não é mais explicável este mundo. Assim mesmo eu tento me explicar, tento me entender. Tem muito pela frente, eu sei.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009


Onde estarás?
Estes teus olhos de imensidão azul me faltam há tempos.
Pode haver distância, mas o afastamento quem determina é você.
Me tira o sono.
Muito me faz lembrar o gosto da felicidade que hoje é amargura.
Preciso do equilíbrio que existe na beleza do que tão longe está.
Minhas necessidades não são materiais, entenda.
Então logo há o regresso nostálgico de minhas noites,
que ao menos me trazem o pouco que restou de ti.
E espero que guardes alguma memória de mim.
Porque no fim minha tentativa será tirar você,
e o fim já me parece acontecer.
Não tem cura pra isso, é só o tempo pra deslocar e deixar o próximo chegar.
Meu ciclo de desamores, de esquecimentos.
Ainda sim não te dou o direito de deixar-me,
não suporto sentir que fui passageira.
É meu orgulho que morre sem fim.
Madrugada.
Chove fraco lá fora, tempesteia aqui dentro.
Meu mundo parece um equívoco, um deslize dos céus.
Há de haver um significado, mas deve ter sido esquecido.
Porque este viver não me parece caber e só me faz sofrer.
Explicação há de ter pra tanto pranto assim.
Existe uma repetição necessária e dolorosa de acontecimentos.
Minha juventude corporal não se iguala à minha mente.
É fato minha existência.
Sei quando e onde nasci mas nunca nem um pouco entendi.
Soa tão muda a minha voz, se vê tão invisível minha presença
que já me acostumei com a ausência de respostas.
Me estampa no rosto o cansaço crônico.
Não tem exatidão pra isto, faz parte de minha instabilidade.
Este desentendimento cerca a extensão do universo.
Sou vista com erratidão, disso sei.
Mas não sei e não entendo tanta vida, tanto vão.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



Teorias me cortam os pulsos. E são tantas...
Estou em coma emocional e ninguém percebe, ainda.
Amputaram minha última esperança.
Dizem que ando distante, de fato.
Tentei avisar que minha mente está ao revés, mas
de nada adiantou.
Dói tanto que já nem sei que parte culparei desta vez.
Tensão que ninguém sabe, dor que ninguém vai entender.
A tristeza me escolheu.
Afinal, alguém havia de me querer.



Melina.

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