domingo, 15 de março de 2009

É domingo.

Havia uma agrupação de pessoas tediosas naquela manhã.
Comumente este tipo de gente fala do que não sabe.
Sinto-me sem pernas ao nada fazer quando minha audição é afetada
com os dizeres alheios.
Vivo num calabouço.
Trata-se de uma prisão sombria imperceptível aos olhos.
Alí estavam eles, testemunhando minha mudez.
Preferi me calar diante daquela moléstia.
Seriam odiosas minhas palavras.
Prefiri poupar minhas forças,
calar a violência e a monstruosidade do que tenho à dizer.
Minha saúde não aguenta tanta estupidez.
Se tratariam apenas de palavras, logo esquecidas.
Já exausta pelo dia, deitei minha cabeça sobre
a almofada e me vieram os resmungos daquelas mentes estreitas.
Não consigo descansar.
Minha mente trabalha apressada.
Joguei-me sob o chuveiro e tentei mergulhar meus lamentos do dia.
Se foram pelo ralo.
Senti frescor ao estirar-me em minha cama.
Amanheceu.
Não quis levantar.
Necessitaria de um oceano para tirar-me o que viria.
E veio.
Será um ciclo longícuo, já sei.
Não vai abrandar isso em mim.

Fui abduzida por Graciliano Ramos.

Melina.

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