segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lucidez custa sim os olhos da cara.

Sentou-se semi desnuda em frente ao espelho e chorou como um recém-nascido.
E de fato nascia a cada instante, assim como morria também.
Era como um espirro: desconfortante antes e depois.

Pensara que ainda no mesmo dia pela manhã, um senhor de olhos profundamente verdes a olhara
com espanto, como se houvesse adentrado em suas veias, e palpitado junto com suas dores, como se houvesse
descoberto a calamidade que em sua alma pairava.
Mas não, apenas estranhou tamanha desordem num ser recém-nascido. Tamanha tristeza refletida no olhar,
logo tão cedo no dia, logo tão cedo no tempo de vida.

Então, horas a fio sentada alí, lamentando-se aos gritos não contidos em frente ao espelho, inconformada com tamanha irracionalidade própria.
Como poderia deixar-se protrificar tanto? Não imaginara tanto eco em si mesma.
Projetara num ser distinto seu pior lado: o banal. E gostava de sentir banalidade naqueles braços frios, pois de certo modo confortava não ser somente uma presença, já que era agora uma lembrança.
Em meio há tanta fossa, não permitira matar-se por outro, e sim por si só. 
Mas não podia, pois restava no fundo de alguma veia latejante de seu coração uma minúscula vontade.
Admitira em silêncio à si mesma que vontade se tratava de vida.
Não é vergonhoso querer viver. Vergonhoso é não poder. É se entrevar como lá estava, sempre presa à algo, sempre algemada à álguém.
Trata-se de demência existencial, deficiência afetiva do passado, do presente: de si mesma.

O que mais impressionava era toda essa complicação.
Se a face tinha olheiras, se os lábios não eram fartos, se o cabelo não era domado, já não importava.
Importava o grande trânsito emocional que derrubava cada sentido lúcido de si mesma.
Liberdade era livrar-se dos próprios monstros, era deixar ir e vir, era amar sem engano, era parar de ser sempre aquela recém-nascida que de tanto sabia, mas de nada conhecia.

Chorou de perder o ar e já não podia mais ofegar.
Caminhou lento ao chuveiro e estatelou-se contra o chão.
Gastara as águas do mundo para sentir alívio, um grave sinal de egocentrismo.
Quisera dar-se ao luxo de nascer de novo. Dessa vez não de alma, mas sim de corpo, mas talvez jamais fosse suficiente.
Talvez a vida seja um carma que pese imensurávelmente sobre seus ombros.
Talvez a vida seja uma folha que voa com altos e baixos pelo ar.
Talvez ela fosse um descartável ser insone que perambulava pelas avenidas de si mesma.
Talvez fosse o caos, o belo, o pouco, o nada, o tudo.
E era.

9 comentários:

Débora Gomes disse...

É lindo Melina, mas as vezes dá medo. Não é só poesia, mas também confissão e por isso preocupa.
Beijos e fica bem.

Erika disse...

Genial. Lindo. Incomparavelmente perfeito.

O'Franck disse...

Bonita,

vc tem a manha!

meus instantes e momentos disse...

vim conhecer teu blog e gostei daqui.Ótimo texto, parabens , muito bom.
Maurizo
* muito bonito seu rosto.

Daniel Oliveira disse...

Sues textos são mais do que perfeitos,porem,foi o que a Débora disse,parece uma confissão,não sei ao certo,mais é muito profundo,como qualquer outro sentimento.dequalquer forma espero que fique bem SEMPRE!

BjuuuSS!

Beatriz disse...

Os dois filmes iranianos que vi são parados e não parecem filme. Parece uma historinha, não sei explicar. Curiosa que sou, fiquei vendo até o final esperando ver no aquilo ia dar. E acabaram de repente. Talvez onde parece não haver sentido, é onde mais encontramos sentidos p/ as coisas. =) Obrigada pelo comentário! beijoss

carlinhos de lima disse...

Te segui direto que até cheguei aqui.
Te fiz uma oferta.
E estou aqui para dizer presente.

Diversidade.com disse...

Quanta intensidade em tua escrita...

"Com Lucidez eu me permito"


Adorei teu espaço


Parabéns

Visitarei sempre, se bem vinda , rs

Grande beijo

freefun0616 disse...

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