segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Juventude


Juventude passou por mim.
Passou, passou.
Desviou deste corpo meu que tão logo envelheceu.
Juventude, por onde andou?
Se em mim consente o gosto de quem nunca amou.
Parece fajuto e até um pouco bruto este tudo em mim.
E o mundo vazio me parece, com este adeus e o eco que em mim padece.
Juventude, encontrarei-te um dia?
Ou me escaparás como de hábito?
Te abraço apertado, mas parece que em mim nunca esteve.
Me deixaste perdida, sem saber quem sou
e este oceano de lágrimas é o que me restou.
Juventude, me dói ser a única a não pertence-la.
Aos amores e encantos escapar, à amizade nem mesmo chegar.
Entardeceu cedo em mim.
Aonde estarás?

Riem de meus profundos lamentos e querem que eu esteja com eles nos risos e nos choros, mas não estão comigo, nem mesmo quando eu morro.
Como pode se me roubam a calma e me abduzem a alma?
E a rotina é evitar, tentar nos versos explicar. E entre rimas disfarçar a grande dor do pesar de minh'alma.
Todos eles que lá fora estão prontos para me mentirem sob o ritmo de indiretas e eu passo reto, de fugitiva sigo por mais uma via.
O vão em que me sinto lutando aumenta sem beiras, e eu tão velha me sinto presa neste mundo de eivas.
Me traíram e eu me prendi à realidade de não voltar à crer em cada ser que um dia me fez chorar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

As férias de mim mesma.

Prometi me afastar do meu eu, prometi não pensar no habitual. Sou fraca com as promessas que me faço. As burlei, subornei à mim mesma. Impossível escapar-me se vivo em mim, me habito. Então, tenho como dito que minhas férias são físicas, e jamais mentais. Me sinto fragmentada neste dia de hoje. Os fins e os começos me quebram os ossos. Minha melancolia veio à tona, me deixou caída no pranto das memórias de ontem. Eu não sei fazer de mim mais que palavras que rabisco aqui. Sinto que a decadência emocional me rodeia, me invade. Estou de volta às minhas noites frias desta vida de boêmia. A nostalgia me leva ao fundo, deixa nítido a tristeza que carrego. Todos me deixam, ninguém me tenta. Não os culpo, mas não vou deixar a aura em que me envolvo.
Me falta muito hoje. É impressionante a sinceridade destas palavras e a precisão do meu silêncio. Este é o meu depósito, meu refúgio.
Boa noite, tristeza.

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