sexta-feira, 27 de março de 2009

Noches de insomnio.


Hoje vi o contar do ponteiro do relógio cada minuto.

O que te parece quando vives numa claustrofobia sem fim?

Quando onde estás não parece te pertencer de fato?

E desafio a tua gramática, a tua semi perfeição à compreender.

Olhe em meus olhos e de pronto desnudarás minha alma em parte.

Porque há ocorrências que levo dentro e não há olhar que desvende.

Minhas mórbidas tristezas cansaram-me inteira.

Deixo-me levar pela ilícita irresponsabilidade dos sentimentos.

E pareces tão infiel,

que me fazes querer despedaçar grotescamente cada parte de seu coração.

Este meu tal que me abandonou e deixou padecer em meu peito um vácuo,

um extremo falso hábito de pulsar.

Não há coerência racional para o que me arrebata.

Não vejo indecência ao não enlaçar-me como uma dama.

É que os bons costumes me desfiam a intocável rotina de cercar-me de

minha própria explosão.

O que conforta se não um abraço terno,

se não a veracidade dos olhos que ainda não me vi refletida?

Me conforta o alívio de poetizar meus entorpecentes.

De combinar rigidamente meu vasto querer ao meu limitado poder.

De irradiar a minha imensa verdade a quem quer que seja.

Invade-me sem fim, pobre farsa de meu desastroso deslize.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sensación ambigua.

Não sinto coragem para enfrentar meus dias.
Sinto um vazio imenso que me possui o corpo.
Assim, recebo sua ausência como morte temporária.
Prefiro crer que nas tuas veias correm o negro
desespero do adeus eterno.
À mim resta eu mesma.
Resta fraqueza para me enfrentar.
Preciso de força para conviver com minha lucidez,
e então dar-me conta que as despedidas são diárias,
que buscarei infinitamente, mesmo que em vão.
Me comove tanto esquecimento.
Não permito que me banalizem.
Não permito que exista tanta irrealidade ao meu redor.
É vergonhoso coincidir sempre com o mesmo,
é mediocre não se coincidir nunca.
Amanhã cedo o dia me espera e eu não quero acordar.
Não tão cedo, não tão só.

domingo, 22 de março de 2009

Num domingo à noite, ou numa vida inteira.


Pareço extremamente imperfeita. Estou num empréstimo, numa tentativa frustrada. Sou desordenada, inacabada. Fui fixada ao vão. A razão desune meu sorriso, que tão fugaz desvanece ao sentir-se impróprio em meu rosto. Não sei se fascino, se encanto. Sei que assusto, sei que afasto. É uma fatalidade ser tão consciente. Viver debruçada em minhas vontades, aceitar melancolicamente o que sinto. Vejo exaustidão sob meus olhos. Fez-se tormenta minha calma, fez-se fato o pressentimento. Espantei-me ao ver-me tão sóbria e lúcida esperando o teu regressar. Suspenderei minhas incertezas. Não devo viver de falsas esperanças. Minha presença tornou-se qualquer coisa.

sábado, 21 de março de 2009


Todos os dias se julgam livres,
mas não há liberdade quando te dizem o que deve fazer.
Dá vergonha viver com eles.
Penso mesmo em abandonar minha alma,
dizer adeus aos meus desatinos e não olhar pra trás.
Vivo pensando no que sou e nunca sou, nunca sei.
E no amor que tão sincero pensei que fosse,
hoje tenho que dissimular pra convencer,
pra engatar o que não vai pra frente.
E se repentinamente eu fingisse não sentir mais,
se distraísse minha dor com as tolices do mundo,
se vivesse de fantasia, como seria?
Que eu fique no canto, que eu fique calada.
Desencantei mesmo dessa gente.
Queria saber negar que não quero afeto, mas quero.
Porque hoje eu não choro mais por ninguém.
Não deixo derramar minhas lágrimas por ingratidão.
Conduzo todo sentimento em certa direção, acredito.
Tem urgência no que sinto, tem ânsia em despejar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Revoltei-me.

Não precisava deste tombo de realidade.
Felicidade parece nunca me encontrar.
Mesmo que soe tarde, irei querer o teu gosto.
Porque quanto mais a busco, mais agonia encontro.
De tanto quero a verdade, de tanto temo de tê-la.
E me envolvo com os erros,
vejo os ângulos aflitos da vida.
Por mais que suceda, permaneço no mesmo beco.
Não sei que sorriso usarei hoje,
não sei em que traje me esconderei neste dia.
Estou certa de que direi adeus de própria vontade.
De que não precisarei de conssentimento pra viver.
Calarei-te a boca com o olhar.
Darei-te segundos pra ir e nunca mais voltar.
Não quero tua pena.
Fraqueza resta pouco em mim.
Fica mesmo é esta incerteza, este sofrimento calado.
Este mundo que em mim contém.

terça-feira, 17 de março de 2009

Tenía tanto que darte.


Ninguém pode viver de esperar.
Entreguei à ti o que sou e de nada adiantou.
Queria frieza para não doer tanto enquanto te espero falar.
Queria congelar-me até os dedos para não sentir esta aflição.
Queria romper esta ausência.
E assim, sem dar-me o valor, partiste sem nada pronunciar.
Parecem ainda não saber que há em mim muito mais que um corpo.
Corpo este que se converteu vitrine para tolos.
Tenho o mundo em mim, aceite.
Nego ceder-me ao teu orgulho.
Nego subestimar-me às tuas vontades.
Voltarei ao meu caos,
implorarei por vida à cada noite.
Arrastarei-me pelas ruas sem razão,
voltarei ao meu eco de pensamentos.
Não dedicarei nada mais à ninguém.
Que tenham-me como desprezo, não me importa.
Quero a liberdade de depender de mim mesma e só.

domingo, 15 de março de 2009

É domingo.

Havia uma agrupação de pessoas tediosas naquela manhã.
Comumente este tipo de gente fala do que não sabe.
Sinto-me sem pernas ao nada fazer quando minha audição é afetada
com os dizeres alheios.
Vivo num calabouço.
Trata-se de uma prisão sombria imperceptível aos olhos.
Alí estavam eles, testemunhando minha mudez.
Preferi me calar diante daquela moléstia.
Seriam odiosas minhas palavras.
Prefiri poupar minhas forças,
calar a violência e a monstruosidade do que tenho à dizer.
Minha saúde não aguenta tanta estupidez.
Se tratariam apenas de palavras, logo esquecidas.
Já exausta pelo dia, deitei minha cabeça sobre
a almofada e me vieram os resmungos daquelas mentes estreitas.
Não consigo descansar.
Minha mente trabalha apressada.
Joguei-me sob o chuveiro e tentei mergulhar meus lamentos do dia.
Se foram pelo ralo.
Senti frescor ao estirar-me em minha cama.
Amanheceu.
Não quis levantar.
Necessitaria de um oceano para tirar-me o que viria.
E veio.
Será um ciclo longícuo, já sei.
Não vai abrandar isso em mim.

Fui abduzida por Graciliano Ramos.

Melina.

quinta-feira, 12 de março de 2009


Há alguns anos atrás uma cartomante tentou me dizer sobre meu destino.
Eu não quis escutar.
Não suportei ouvir minha vida em resumo,
não suportei sentir que tudo não passaria de momentos
para resultar no que já sabemos, no fim.
Não posso deixar que tentem me convencer de que nada devo me importar,
que minha vida será só mais uma em meio há tantas, de que necessito concessão para existir.
Me lembro bem do dia em que não havia resposta para o verbo existir.
O verbo pode sim ser explicado, mas o acontecimento, a existência, não.
Me perguntaram se sou feliz um dia desses, e eu me vi sem o que dizer.
Tenho meus momentos de felicidade, mas preciso parar para pensar neles.
Posso contá-los nos dedos da mão.
Não é que eu viva numa infelicidade constante, mas sim que seja instável tudo isso.
Vivo num meio termo, num quase.
Acredito que quem diz ser feliz todo o tempo é no minímo desconfiável.
Não acredito em pessoas extremas. Alegres ou tristes, excessivas.
Enfim, tenho minhas certezas, mas as incertezas se sobressaem.
Convivo bem comigo mesma.
Existe um acordo pessoal em meu subconsciente.
Tenho de no mínimo me aceitar, e de fato me aceito.
Mas não tente me anestesiar com doses de mentira.
Não sou fraca de mente.
Não quero a minha vida - que tão longa parece - contada em minutos.
Cada grão será suficiente, não há arrependimentos em mim.
Tudo resulta, tudo reflete.
Estou bem assim, mesmo.

terça-feira, 10 de março de 2009

Que tarde caí.


Eu vejo que nada muda, nunca.
Que todos caminham de um lado para o outro sem bem saber onde vai dar.
Que vivem passivamente, e eu não sei viver assim.
Mas que mesmísse árdua.
A vida já me esgota o corpo, não posso imaginar como será.
Não sei sobreviver de normalidade, não sei ignorar os fatos.
Estou cheia de ecos.
Nada me prende a atenção, vivo longe.
Sou inconstante, me desvio fácilmente.
Acho que existe sim paz em mim.
Acho que existe sim quem a traga.
Acima de tudo, quero meu espaço.
Tenho que aprender a conviver com limites.
Tenho que aceitar as perdas, que são tantas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Direito de resposta.

Me tornarei feliz.
Feliz de tão burra que serei.
Talvez assim parem de me cobrar tanta vistosidade.
Sentir não é pecado.
Dizer é ainda menos.
Eu simplesmente não consigo ignorar os fatos, fazer-me de tola como fazem por aí.
Não pergunto se sofrem, então não me perguntem também.
Se escrevo é porque sinto, e tenho motivos para meus infernos pessoais.
Não admitirei rotulações banais sobre como ajo.
Fraco é o que sente e nada faz.
Sinto um nascimento a acontecer, sinto uma longitude do que quero.
Não há leve depressão em mim.
Há intensidade, há um vulcão sempre pronto para explodir.
Nada que se possa ver e dizer, e nem tem tempo de vida que explique.
Quero ainda não o entendimento, mas sim o direito e o respeito
de ser quem sou.

De novo. De próprio punho e própria veracidade,

Melina.

Para mim chega.

Se não sou boa com as palavras, talvez seja porque você não as ouve.
Hoje entrei em desespero absoluto ao ver que minha felicidade de nada te serve.
Teus julgamentos diminuem ainda mais minha extensão.
Meu choro é a tua alegria, só pode ser.
Se em tudo que eu vejo beleza você vê miséria,
se no meu ganho há a sua perda então já não podemos mais ficar assim.
Meu silêncio é tua pacatez , e meus dias se tornam infernos ao lado dos teus.
Entenda que de tudo tentei fazer, mas o ápice absoluto do caos me parece chegar.
Vivo na imensa pressão de andar nos teus sapatos e tentar me ser.
Sou forçada a viver nesta ressaca, nesta opressão que me desmorona.
Sei bem o que tenho me tornado, e isso me assusta.
Minha insensibilidade floresce, herança da tua.
Pode soar infiel, mas é o cansaço sincero do que você quer que eu seja, e sei tão bem que jamais serei.

Melina.

terça-feira, 3 de março de 2009

É sincero.


Misturo fossa com calmante.
Vivo do sono produzido, dos sorrisos plásticos e das falsas impressões.
Sou fruto de uma relação traumática.
Existe uma velha decadente em mim, uma tal cheia de vícios e desgastes.
Ainda não sei se me foi bom encontrar minha dimensão.
Categorizam o que sinto, tentam rotular minha dor.
Ninguém sabe exatamente de mim.
Se sabem, disfarçam conhecimento.
Não passo de invenção.




domingo, 1 de março de 2009

Vinte e duas horas e dezoito minutos

Não há virtude de um que seja a semelhança do outro.
São tortos mas são gente, reconheço.
Deslizam as maldades sem controle.
Jamais haverá arte sem racionalizar, emocionar.
Vivem das emoções do carnaval, das folias inventadas.
Rebeliam sobre o desnecessário.
Não haverá um mundo melhor enquanto ele for habitado por humanos.
Tradicionalizam desde o berço e corrompem um todo.
Muitas vezes penso em desistir.
Não sei se serve pra mim tanta falsa devoção.
Não sei se serei feliz numa rotina de buscas, de estipulações.
A vida é construída.
Você a habita e depois a deixa, como inquilinos.
Talvez deve ser por isso que nunca me senti em casa.

Melina.

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