terça-feira, 28 de abril de 2009

9:12 AM


Renegas mais que minha clareza de ser, renegas minha presença.
Renegas minha vontade de partir, renegas o incomum constante que sinto.
Ah meu bem, que fraco foste ao me deixar.
Que insuficiente foram tuas palavras imprecisas, teu imoral desejo de querer meu conturbado externo.
Mergulhas meu coração em vinho ardente que inebria, vicia o doce gosto que depois faz-me de dor latejar para então te apartar das memórias.
Teu silêncio é desprezo, minha vontade de ti, desacordo com a razão.
Sou exatamente o oposto do que supões que eu seja.

domingo, 26 de abril de 2009

Jogada às 03:02 da manhã.

Tudo que eu mais queria era adentrar em meu calabouço particular e disfrutar de minhas-horas-vazias-buscando-sei-lá-o-quê.
Minha boca não era tão calada, meu olhar não tinha tanto desespero.
Acho mesmo que a vida vai te perseguindo, te corrompendo, te consumindo.
Cada dia me torno mais lúcida e isso me assusta.
Mas não adiantam arrependimentos se o que fiz consiste no que sou, e poderia ser pior, ou melhor. São dúzias de possibilidades, suponho.
Me indago incansávelmente pelo que tenho me tornado. Me encaixo no mínimo comum, e assim, nada supre, nada anestesia, nenhum ser oposto encanta.
Essas coisas não viventes ao meu redor que dizem distrair, afligem.
Por mais que tente, o mundo está imóvel e dolorido para mim.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Não de perdas, mas de somas.


Tinha mais do que o corpo e alguns órgãos resmungões.
Tinha a mente efervescente, o coração estilhaçado,
os olhos que diziam por si, e uma inquietante desordem de ser.
Não era carne, essa essência.
Sentia-se à toa, reles. 
Seus desprazeres trivialmente lhe ocorriam.
De tanto tropeçar em desgostos, desabitou-se de esperança.
Tornou-se aparentemente insípida, mas de fato era progressiva,
mesmo que fortemente tendenciosa à decadência.
Era o que sentia, e rotineiramente tentava explanar, entender.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

21:27



Que te pese no peito uma imensurável opressão,
que teus dias sejam combustivos, que tuas noites sejam tão dolorosas quanto as minhas.
Tu, enfeita-te de mentiras, respiras a impulsividade de querer já ou nunca mais.
Se de fato carregasse consciência em tua mente opaca,
verias que não se invade corações, que não se parte de próprio desejo
quando alguém te espera.
Não calculas a imensa dor de ferir-me cruelmente o orgulho.
Destroça-me insistentemente quando negas afeição.
Não veria gosto em querer-me sóbria ao teu lado numa noite qualquer,
de suportar minhas verdades em meio à tuas imoralidades.
Porque não temo me ser perante à ninguém.
Porque não me enfraqueço de razão quando me banhas de palavras frias.
É uma honra comunicar-te que privo-te eternamente de mim.
Que prefiro solidão de estar só e não sozinha acompanhada,
jogada no teu desconfortante superficial amor.

domingo, 12 de abril de 2009

Dama, pobre dama.
Dos cabelos bagunçados, do olhar borrado, dos dramas sem hora.
Acabou num canto qualquer de si mesma.
Desabrigada de doces emoções, ri de suas próprias combustões.
Solidifica as falsas paixões, pisa nos outros corações.
Acredita no que vê, mas o olhar tornou-se seletivo.
Ao redor, o mundo que não habita,
as pessoas que não conhece.
Os encantos se encerram conforme os desencantos.
A mocidade se aleja.
Não olha pra trás mas ouve os passos.
A pior maneira de partir é quando não há adeus.
Incompleta, se inflama em suas próprias chamas.
Deixa partir, deixa doer, deixa seu corpo efervescer.
Pra viver tem de sentir, se diz por aí.


Ps: Peço gentilmente para que comentários anônimos sejam evitados. Agradeço aos elogios, mas agradeceria ainda mais saber de quem provém. 

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fugaz!

Pensa-te.
Tedioso é ser sempre o mesmo.
De púrpura ou negra alma, de mel ou insípido olhar,
não se pode medir-me.
Porque se te pareço fraca, não sou.
Se me vêes como cansativa, não sou.
Mudo, inverto, descasco.
De fato me canso fácil de frouxidão.
Cuida-te.
Te enlacei um arame no pescoço.
Se partir, te desejo ver de peito rasgado, sangrando tua desordem.
Já não tenho piedade, já não anseio.
Não me suponha, jamais.

domingo, 5 de abril de 2009

Rompendo, mantendo.


Decadente como me sei, na aflição dos dias lentos, conto sumiços teus, conto tormentos meus.
Em meu quarto, embriaguez.
A crua e inumana moça esquecida.
Congelada, me anulo na alcoólica espera.
Os lábios colados, envenenados.
Sorrisos nem plásticos, nem forçados.
Interrogo minha falsa lascividade perdida em tuas torpezas.
Derrotada, me comovo com meu próprio desconforto.
Conturbada e imóvel, desespero em versos.
Não posso deglutir estas amargas lembranças.
Ao avesso, largada nos mais cruéis desabraços.
Densa, fadigada.
Imperecível breu, este meu.
Dissolvendo-te da memória, sumindo comigo mesma.
Pupilas inundadas em pranto, retinas embaçadas.
Minha alma se desfazendo, se reconstruíndo, morrendo, renascendo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Reciprocidade

Pra todo e qualquer entendimento deve existir soluços inquietos que habitam a alma. E na garganta, nós de desafetos.
Não se pode querer sentir e tentar compreender sem que ocorram desgraças internas.
Jurei à mim mesma não prestar-me ao papel do óbvio, mas o óbvio vem me acontecendo sem que eu possa controlar.
A vida tem um ciclo medíocre que infelizmente me vejo obrigada a seguir.
Me enamoro dos erros pois sou inteiramente equivocada, e vejo-me refletida em cada excepcionalidade da vida.
Passo por visivelmente patética ao sofrer rotineiramente pelo mesmo.
Sofro por racionalidade combinada à sensibilidade.
Chame de doença, chame de fracasso, chame de mania.
Sou eu e não posso negar, seria perigoso me evitar.
Cairia no desgosto de ser plural.

Recado à quem quer que seja: Se queres uma vida vaga, que vivas às escuras na estupidez de teus dias.
Não mereço insignificância de estranhos, ou semi-conhecidos. Tenho uma história. Não deixarei desabar-me por falta de nexo em tua mente. Que vivas, que morras, mas apartado de mim.

Melina.

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