quinta-feira, 30 de julho de 2009

Emaranhado.

São dias, noites, semanas, meses e até anos tentando consertar aquele silêncio incômodo, uma sensação de distância, uma constância da falta que assusta.
O toque não passa da epiderme. O vínculo, um vício.
Eu queria me desvincular dessa rotina ordinária. Não de fazer, mas de sentir.
Minha vida ainda é breve, ainda é nova, e eu me sinto tão gasta, tão ridiculamente usada.
Aos poucos me canso de sofrer. Me nego, me afasto do límpido.
Minto para me tentar fazer feliz. As coisas são simples quando não pensadas e não tocadas, é
que quero além da matéria.
Meu coração se secou. Sou um deserto por dentro e por fora.
Vivo num tempo destrinchado em memórias, tempo de espera contínua.
Meu desespero é incompreendido. Se falado ou calado, é sempre loucura.
É estranho sentir dormência quando a outra metade grita.
Acho que parte de mim é vontade, a outra parte é medo de me enfrentar.
Na verdade eu não quero ter que me apegar. Sei que num breve fim, tudo se aleja de mim.
Devo parar com a mania de querer limpar os sujos e adestrar o mundo, já que ele não me pertence e eu jamais pertencerei.
A vida tenta me regrar e eu escapo. Sou sempre o acúmulo de células que caminha, que pressente, que agrava.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Domingo, 5 de julho de 2009. 04:14 AM.

O que eu sei, é que tudo que eu menos quis ser é o que hoje eu sou.
Acumulei grossas camadas de desencontros e um amontoado de falências.
Deixei extinguir, deixei acumular. Desordenei tudo o que havia de ordenado e contrariei cada significado pronto.
Não são minhas gavetas ou meus armários, minhas peças de roupas amarrotadas e meus cadernos com folhas rabiscadas. Eu nunca me calei por dentro e minha atenção nunca foi direcionada à uma só coisa.
Minha desorganização parte de dentro, e eu me perco por fragilidade de não querer me encontrar, de encontrar e só então me perder. É tudo extremo, é tudo avesso, inconformado, gritante.
Tantas vezes eu evitei os espelhos para não dar de cara com a minha opacidade, meu desgosto travestido em olhos fundos e remotos, em lábios que não se desgrudavam nem para sorrir.
Me vi corrompida, ajoelhada de olhos cerrados e aos murmúrios dizia que queria ir embora.
A distância ou a proximidade tinha que vir de mim mesma e de todos os meus traumas, meus desajustes e desesperanças.
A vida sou eu, dentro e fora de mim. Só basta me conformar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009


Nasci do outro lado do globo, desde meu menor indício de vida eu era minoria.
Sempre tive uma vontade desconfortável de querer ir embora. Não sei pra onde, não sei pra quê.
Sou estrangeira aqui e lá, em todos os lugares possíveis.
Toda minha vontade de ir embora é na verdade o desejo oculto de paz. Sim, eu quero conforto dentro e fora de mim. Tenho necessidade de ser compreendida, ou minimamente respeitada.
Não sou parte de nada e nem de ninguém.
Eu me escapo, me desregro, me mato, me negativizo. Pra o que eu sinto não tem limite.
Já fui cega, e era mais feliz. Troquei a felicidade gratuita pela lucidez.
Me lembro que quando pequena, sentava na máquina de costura da minha avó e passava horas olhando pela janela.
Me lembro da constante vontade de ser lembrada, da mania de calçar sapatos que não eram meus, da paixão pelo desconhecido e da mais imensa esperança de viver.
Eu mudei. Deixei um tanto de acreditar. Me comovi com a impossibilidade de certos acontecimentos. Perdi pessoas que ainda vejo, perdi pessoas que não verei jamais. Desacreditei em casamento, religião e televisão.
Mas veja, não mudei tanto assim. Ainda passo horas detrás da vidraça olhando lá fora, tenho sede pelo desconhecido, calço sapatos não meus - mas desta vez, figuramente falando.
A data do meu nascimento é um engano. Na verdade, já nasci e morri tantas vezes que perdi a conta.
Não gosto de resumos. Minha vida não vai ser um texto ou uma estrofe, e sim uma biblioteca toda.
Me ocorreu ser assim, um dia passa, um dia volta. Talvez não se tratem de dias e sim de uma vida toda.
Que seja, me deixo ser.



Feliz dia do espermatozóide vencedor pra mim, che!

domingo, 12 de julho de 2009

O que sinto não se trata de fase. Não se categoriza um estágio meu. Sou constantemente difusa, e não me agrada que nomeiem minhas sobrevivências, ou mortes.
Não gosto de coisas mornas e sem gosto, não aturo pouco quando se pode dar mais.
Se a casa está cheia e as ruas estão tumultuadas, eu estou sempre trancafiada dentro de mim, essencialmente só e distanciada de toda essa lucidez barata.
Meus diálogos não são programados, acho até que tenho sido demasiadamente impulsiva. Minha sede tem aumentado, assim como minhas expectativas.
Que meu mundo desabe e que não saibam me amar quantas vezes for preciso. Coincido em gostar de pessoas inacabadas que não me valoram. É um inferno convidativo.
Gosto de sentir e ser sentida.
Imploro à mim mesma que as coisas se tornem menos exaustivas e que, talvez se eu soubesse dissimular, seria mais fácil me engolir. Não adianta: de mim não sairão nada além de verdades. Coisas minhas, coisas frágeis, coisas sólidas, coisas loucas.

sábado, 4 de julho de 2009

Todo o leviano tem me feito nula, e não me aceito como superficial.
Da entrega à quem, dos horários avessos, dos excessos em não querer me danificar por dentro.
Tenho abusado de minha ausência, e venho me esquecendo assim como me esquecem.
Ainda que árduo, tudo que digo é de extrema veracidade, e incomoda ser verdadeira nesse ajuntamento de enganos.
Por mais anestésica que seja a mentira ou a palavra não dita, seria incabível não me formar de mistérios à mim mesma, à quem quer que seja. Se me abuso, se me ausento ou se me prendo em algo, é por não saber me unificar. Sou muitas formas de ser e não ser em uma só.

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