domingo, 29 de novembro de 2009

Livrai-me dos minúsculos e suas minúcias ridículas.
Livra-me desta dor que me ofusca os sentidos; dai-me doses diárias de paz.
Livrai-me desta cobrança do que jamais serei. Desta eterna busca do que não sei.
Perdoai-me por este contrário que insisto em permanecer.
Perdoai-me se sou cruel aos teus olhos: sou humana.
Resgatai-me a extinta fé, resgatai-me a esperança infantil de quem um dia creu.
Livrai-me dos amores sofridos e das noites pálidas e caladas de remorso.
Dai-me coragem para enfrentar-me e enfrentar-te.
Perdoai-me se sou pecadora. Creio que o pecado está nos olhos dos minúsculos.
Perdoai-me se desejo mais. Sou inesgotável com meu querer.
Dai-me braços e abrigo.
Livrai-me dos exageros que me envenenam.
Resgatai-me o gosto pelo simples e imaterial.
Ajudai-me que já não tenho para onde fugir. Insistentemente colido comigo, e não entendo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Às vezes acordo com uma vontade enorme de apagar tudo. Com uma culpa gigante da minha infelicidade e da tua também. Construo e destruo ilusões, acabo sempre me lamentando pelos inesgotáveis desafetos. Minha sede de tudo
é tanta que às vezes acabo sem nada, toda destruída, sem amanhã nem depois.
Me permito por dias me esquecer um pouco. Preciso me poupar de mim mesma pra que tudo siga bem na medida do possível, ainda que pareça impossível seguir.
Quero cessar meus encantos por enquanto. Preciso de um pouco de paz, sem entregas e perdas. Essa minha vontade de ir embora é a mais pura fragilidade de quem não quer encarar o real. E dói.
Penso tanto nas pessoas, escrevo cartas pra ninguém, bebo e fico paralisada em frente a janela. O telefone mudo, um silêncio insuportável nos tímpanos e uma lembrança maçante no peito. Não entendo nada e quero mais é dormir pra esquecer, acordar no dia seguinte e me atolar numa distração qualquer pra que tudo pareça estar bem mas não, não está. Não posso ficar presa nessa ausência de compreensão. Ausência de tudo o que me conforte. Estou completamente sóbria e nem um pouco calma. Sei que estou patética e dolorida. O importante é jogar as cinzas no lixo, tomar um banho e colocar cafeína na garganta. Preciso recomeçar a todo instante. Jogar o cansaço ralo abaixo e me convencer que logo o tempo desloca esse desespero.

sábado, 14 de novembro de 2009

Vastidão

Estou num tempo caótico, tenho necessidade de opções plurais e de sensações singulares. Tenho asas, tenho sonhos. Tenho gosto pelo vasto.
Meus desejos são desorganizados, mutáveis. De exato em mim somente minha desordem. Estou em chamas, sem freios,
entregue ao sujo e ao belo. Meus olhos são inquietos, meu corpo não
se cala. Sou cheia de verdades e alguns exageros, algumas loucuras e uma lucidez que por vezes me estraga a saúde.
Liberdade vem de dentro pra fora. Nasce quando a gente deixa de se culpar. Me limitam porque são presos à si mesmos.
Não me preocupo em me entender. Gosto de me sentir ácida e misteriosa.

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