sábado, 26 de dezembro de 2009

Pisava fundo esperando que o amanhã trouxesse o agradável. E vinha o amanhã, mas nunca o agradável. Perdi-me num tempo sem distância ou ponteiros. Uma vítima da própria loucura de querer clareza. E sou turva, ilegível.
Conservo-me nem por fora e muito menos por dentro: cansei do exílio.
Espero de mim, tanto, agora, a chegada, porque só vejo partida.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fatalité

Não sei de horários e datas, não atendo a porta e desliguei os telefones. Quero me zerar, me anular do mundo
para que as coisas voltem ao início, mas não sei bem onde comecei, só sei que não quero continuar me perdendo assim.
Abro as janelas, deixo gotejar aqui dentro. Me debruço pra ver as vidas passando e a minha aqui, paralisada.
Sou de urgências, de entregas, de impulsos, de agora ou nunca. Me jogo no que acredito, e tenho acreditado pouco.
Me chamaria de incontável, tanto para meus desgastes quanto para minhas alegrias. Não engulo o que
me chega de inesperado, muito menos o que vai para não mais voltar.
É insuportável para mim que um dia as coisas cheguem ao seu devido fim. Vivo tentando me acostumar com a vida mas
é sempre difícil, nunca é a mesma, mesmo sendo tão óbvia.
Às vezes sou tão submissa ao que sinto, tão entregue ao perigo que corre dentro
de mim. Agora, dentro e fora só avisto deserto.

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