segunda-feira, 24 de maio de 2010

Lavo o rosto, turvo os olhos, borro os sentidos, viro a taça, percorro minha pele, desvio até ele, escrevo uns versos, teclo seus números, sussurro em francês, pauso o olhar, o corpo desmonta. Sou uma mulher indigesta. Tento, tento, mas não me livro de mim. Assisto aos rasos levando, mas não, me enveneno de tudo, quero o que me toque e me leve, e preciso desse estado, o estar só.
Tento despir-me dele, mas é inútil controlar o desejo, e que sejamos pra sempre emoção, jamais raciocínio. Vem, não sou mistério. Domo o falar, jamais o sentir. Sou violenta, casta e pacífica, entregue e recolhida. Acolha-me e tudo ficará mastigável.
Desequilibro ao anoitecer, distraio a saudade, rompo com o que me cabe e ouso também que algo mais me caiba, movo-me pelos sentidos. Sinto a memória feito lanças por dentro, e lanço-me toda no que acredito.
Fico aqui, te deixo à medida em que me esqueço. Preciso de uma abstinência de mim, de nós. Tenho me matado aos poucos.

6 comentários:

Beatriz disse...

Muuito bonito!
De certa forma me lembrou o que passei ontem e passo sempre de tempos em tempos. Sei o que é certo, mas sempre me deixo levar por pensamentos e sentimentos que me desequilibram, me fazem esquecer o que é essêncial, ou pelo menos deveria ser. "Coisas do coração"...
Obrigada!
beijosss

Amanda Arrais disse...

"Domo o falar, jamais o sentir. Sou violenta, casta e pacífica, entregue e recolhida."

Me senti descrita nesse trecho e todo o resto é inexplicavelmente bonito. E não há como se livrar de si mesmo, no máximo virando mais algumas taças tu podes te esquecer um pouquinho só de ti ou do 'nós'. Mesmo se matando aos poucos, tu sempre vais renascer, isso que é o bom. ;)

Luanne de Cássia disse...

Sabe, precisar estar só. Eu, eu mesma e meu pensamento. As vezes me mata, as vezes me vivifica. Não sei explicar, mas compreendo-te.

Layz Costa disse...

Lindíssimo!
Seus textos são maravilhosos.
Tem dias que fugir de nós mesmos é mais interessante que nos encontrar.
beijo
=*

Faith ~ Rocket Queen disse...

Belíssimo post! De uma escrita bonita e bem original. Amei!

"Tento despir-me dele, mas é inútil controlar o desejo, e que sejamos pra sempre emoção, jamais raciocínio. Vem, não sou mistério. Domo o falar, jamais o sentir. Sou violenta, casta e pacífica, entregue e recolhida. Acolha-me e tudo ficará mastigável"

Me vi neste trecho. :)

Amei seu blog, bjs, bom domingo ;*

Maiky disse...

Amei! lindo!
Obrigada pela visita lá no meu blog
;)

Visitas