domingo, 2 de maio de 2010

Sou aqui fora uma, e aqui por dentro outras. Preciso ser muitas para que a náusea de mim mesma não me leve ao óbito. Mostro-te meu corpo desnudo com a casualidade dos que andam descalços, mas exponho-me em doses tímidas através da escrita, porque essa sim é a nudez absoluta. Não me admiram corpos com ou sem roupas. O que me atrai é o verdadeiro, seja ele reluzente, oco ou podre, e não se alcança o real sem que haja coragem. Por mais fraca que eu seja, atrevo-me.
Antes de ser mulher, sou poeta. Digo não pelos versos, mas tudo o que vejo, vivo ou deixo de, é poesia. Trágico, romântico, cômico, minha vida não passa de tudo o que a escrita permite, mas de nada consigo ser completa e em nada obtenho perfeição. Sou sempre um quase, e já me conformei com o roteiro, só não me proponho a acostumar-me e seguir. Sou avessa, e gosto.

6 comentários:

Anônimo disse...

Adoro sua nudez

NaNa Caê disse...

Li e relembrei algo que eu conheci tempos atrás, de uma pequena escritora de Goiânia, Augusta Faro:


"Nasci olhando de lado,
como quem vê a poesia
brotando do chão
Me encharcando os sapatos."

Talvez lhe interesse,a você e seus vários eus.

Beatriz disse...

Também sou quase e quase sempre o que não quero realmente ser.

A gente sabe o que quer, mas chegar lá são outros 500. Ainda mais quando não depende só de nós. =p

Beijossss e boa semana!

Rafaela Cotta disse...

nossa, muito bonito. :)
e, realmente, é a mais pura verdade: ficamos cada vez mais nus quando escrevemos.

um beijo!

Luanne de Cássia disse...

'exponho-me em doses tímidas através da escrita, porque essa sim é a nudez absoluta'

A escrita pode revelar nossa alma,

texto deslumbrante.

Thay Santos disse...

Muito linda, parabéns Melina!

Visitas