sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Desmonte

Penduro sorriso postiço no rosto,
bochechas vermelhas, dedos que se escondem entre as pernas.
Ainda ontem tentei me amar.
Tirei o rímel, o salto, a saia,
sentei no chão, me olhei de perto.
Não sou bonita, não sou mulher, não estou segura.
Pensei que tinha asas.
Não posso comigo.
Deito, me encerro nesse quarto,
nessa cama, nesses lençóis, nessa saudade.
Me socorre, moço,
que esse meu modo é perverso demais pra um só corpo.

2 comentários:

FERNANDO COSTA disse...

Mel..........!

Espalha-te,
Como quem feito mar bebe a areia
Redunda-te,
Porque quem insiste vence a batalha
Provoca-te,
Há cores em você que nos ilustra
Poeme-se,
Pari a palavra é sina,
é feminina,
é esquina,
e o corpo descansa.

(vc me faz lembra Clarice Lispector com seu jeito forte de dizer, gosto da sua mão implacável, mas serena, gosto de vir e venho sempre – Parabéns! F.C.)

Beatriz disse...

Isso me lembrou que não deixamos de ser o que nos incomoda porque não queremos o suficiente. Não sei bem se tem a ver, mas pensei nisso.

beijossss

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