sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Às vezes sou tanto que me escapa das mãos o controle. De exato em mim, somente o inconstante. De muito mudo, de muito insisto em continuar. Seja doce, seja amargo, insisto. Conheço-me ao ponto de saber quando já não devo mais me encarar. Passo dias inerte no conforto que é não lembrar de mim.
Quanto mais a boca cala, mais a alma fala. Estou em constante movimento.
De carne, ossos, desejos, falhas, ausências, transbordamentos, relevos, excessos, medos, amores, olhares, desamores, nitidez,
mistérios, saudades. Tudo em mim é infinito enquanto dura.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Fiquei aos soluços horas a fio na varanda revezando silêncios e gemidos desesperados de dor onde não se toca, mas se fere. Me assusta encontrar diariamente coisas em mim que não sei explicar. É de se querer dar fim na vida quando as esperanças são decapitadas assim. Olho fixo para o distante e ardo na falta. Seria capaz de desistir de mim para ser com você tudo o que fui incapaz de ser sozinha. Te espero chegar como acaso do meu destino ou descuido do mesmo. Te encontro no sólido e no que não se avista. Tocou-me tão fundo que agora tudo é pouco. Espero sua chegada, espero minha vinda. Estou apartada do mundo, refugiada de tudo que não leva teu nome. Incapaz de balbuciar o amor de outro homem ou acreditar que passará para ser esquecimento. Tenho um passado ainda morno que às vezes me volta, e um futuro imenso que gero com a esperança de que nasça para me trazer gostos doces infinitos enquanto duro. Não culpo minha greve de felicidade pela tua partida, e sim por minha incapacidade de nunca nada que ainda seja desconhecido me bastar. E deito. Calo-me a voz e a mente, não por impulso, mas por obrigação. Preciso conservar o que ainda me resta de isento.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Preciso de belezas que me distraiam e simplicidades que me completem. Quanto mais vivo mais sinto saudade. As memórias são traidoras, hoje felicidade, amanhã morte. Não sei bem onde piso, só sei que sinto ausência na distância. Fecho os olhos e os aperto. Tenho a estúpida esperança de que quando os abrir tudo estará passado, sem lembranças ou remorsos. A cada instante pensado sinto extremos incompreensíveis nascendo em mim. Peço que para sempre seja tudo menos agudo, mas reconheço que ferir-se é também crescer. Sobrevivo de tudo que permanece aceso dentro e fora de mim. Quero ocasionalmente intervalos de tempo comigo. Preciso me lembrar de me esquecer antes que seja tarde demais. Dar-me um tempo de paz antes que tudo vire caos. Um dia hei de querer menos. Um dia hei de querer-me e só, sem complementos ou podas. Que a verdadeira busca é interna, e a resposta também.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Doce peso

Meu caminho é o mesmo, meu tempo é hoje e amanhã, juntos, sem remorsos. Falta em mim o que busco no mundo. Passam em mim todas as possibilidades de ganhos e perdas. Sei nem de mim nem do mundo, só sinto, só acho que passo perto da verdade: não há verdade. Sou de muitos sonhos e poucas palavras. Miro vidas, choro na minha solidão, aprecio o imaterial. Sou mulher no que faço e menina no medo que sinto. Não tenho ordem, só desordem. Conto minha história, paro, retrocedo. Em mim não há arrependimentos. De tudo espremo, de tudo aprecio, de tudo sofro. Já que hoje sou prisioneira de distâncias, vivo num mundo de pensamentos infinitos. De tanto que dizem, pouco ouço. Carreguei com ombros de inocência pesos de vidas gastas: sei de tanto assistir. Quero nunca deixar de ser inquieta. Minhas buscas vão além do que se enxerga, e o que sou também.

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