segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

“(...) Só então deixaria de culpar o humano e o inumano por minhas dores. Somente não sabia manusear a mim, e quem se propõe a se explorar, deve ter cautela consigo. Falta-me, antes de tudo, um encontro pacífico comigo.
Não faço planos ávidos para o futuro. Hoje tento cultivar somente o que ainda me resta de aproveitável. Seja bom, seja ruim. Pego-me desacordada com meu amontoado de vontades. Resta-me saber se de algo vale tudo isso. Tudo que quero, tudo que vivo, tudo que sofro. Se construo uma falsa eu para mim. Se minto, é para mim. E então, não me sei. Não sei de nada. É tudo muito complexo. Ou é simples, e há uma verdade. Só não a vejo porque enxergo adiante. E bato com a cara no muro, insisto no ilegível, espremo o inexprimível. Cada um tem sua verdade inventada. Não saber me torna ingênua de entendimento e atrevida de respostas. Sou como um animal faminto em busca da presa: minha presa é longínqua.”

Retirado de anotações pessoais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Quando amo sou como plástico acerca do fogo: contorço, perco a forma, derreto. Me adéquo à aquele ser, como se o que carrego fosse dividido em outro corpo, como se o amor fosse capaz de unificar, transcender. Então, saio não somente como a mulher e seu sexo, mas sim como ser vivente. E vivo. Bebo até o último gole. Assim como morro, também tenho sede. Me amar, então, seria uma entrega e um recebimento, um afrontamento para o outro. Uma possibilidade escassa de acontecer. É tudo demasiado.
Enquanto carrego todo meu excesso, também muito me falta. É por isso que amanheço, planejo, espero: acredito no amor. Cru, virgem, inviolável. Como se fosse uma inquietação provável de me aquietar. É o que me mata, mas também o que me revive.

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