terça-feira, 13 de abril de 2010

Pouco tem feito meus olhos brilharem. Pouco tem me gelado as tripas, pouco tem me falhado a voz. E então eu parei de vigiar o leite fervendo no fogo. Abri as janelas nas madrugadas amenas, escrevi sobre uma vida ainda não vivida por mim, apostei no desassossego, troquei as músicas, procurei detrás das palavras ditas. Daí uma emoção ressurgiu no meio das coisas mais banais, daí eu me vi diante de novos mistérios, daí eu reinventei todo o tédio que o óbvio te joga goela abaixo. Acordar antes de o sol dar as caras era uma prova de que ao redor tudo segue seu ritmo e, por dentro, tudo é descompassado, sem compromissos ou horários a cumprir. Sim, porque a graça brotou feito flor que nasce sem aviso, e isso é o que me vale. Me abasteço de emoções o tempo todo.

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