sábado, 26 de junho de 2010

Recolhi-me por instinto, feito dedos que se esquivam do corpo gelado. Eu, que vivo de encontrar fascínios nas miudezas, não me admito morna. Quero tudo na efervescência.
Só o desprezo me coloca freios. É por isso que hoje posso esquecê-lo num passo lúcido e decidido. E até esqueço, mas volto a lembrar por capricho. Gosto dessa farpa me espetando os sentidos. Gosto de tentar o aparente inalcançável. Minhas overdoses são lícitas e incomuns: entupo-me de peripécias.
Não há mais um grama de sofreguidão em qualquer ausência que me ocorreu, mas vasculho o inerte até achar inquietude. Vivo porque escrevo, porque me tenho. Assumo: dependo de tudo que reluz o olhar.

sábado, 12 de junho de 2010

Do Pouco um Tudo

Quero qualquer tentação, uma nova saudade, alguma faísca.
Quem se atreva, me atice, me enxergue num close.
Veneno que sirva de antídoto, gosto que não se acabe em desgosto.
Que me absorva sem frouxidão e não saia na ponta dos pés.
Saiba, meu amor é tímido, metido, feito de revelias.
Sou inabitada de qualquer leviandade.
Não temo pecados, prefiro o fundo ao raso.
Que me tire o sono, me ponha a fome, me trema a voz.
Não me divido com ninguém.
Apenas recebo, concedo, apaixono.
Procuro de tudo um pouco, quero do pouco um tudo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Te demito das minhas idéias

você volta

se instala

me rouba

me carrega

não te vejo

só ouço teus passos

sinto

em forma pontiaguda

insistente

de saudade.

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