segunda-feira, 19 de julho de 2010

Fúria

Veja, como sou inconseqüente,
como gosto de tudo que excede, transcende, enlouquece.
Gosto dos riscos e as facas,
o toque e o choque,
o fino e o espesso.
Veja, como sou atrevida,
como gosto de tudo que atinge, suplica, desafia.
Amanheço uma, anoiteço várias.
Veja, como sou mulher e como sou livre.
Olha-me. Receba-me. Entrega-te.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eu e muitas.

Estou cansada de me sentir metade. Já me dividi, já recebi, já careci, já transbordei. Algo em mim tem presença por estar sempre ausente.
Já fui tantas, até tantos, até as tampas. Cansei das turbulências. Se pudesse, morreria todas as noites. Amanheceria outra, pra me livrar do erro, pra me livrar de mim.
Passa em mim, feito braços maternos, passa em mim, feito ternura de homem, fica em mim, como posse, como luxo, como esperança, como vida, como complemento, que cansei de ser eu, e muitas.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Marulhoso

Carrego excelências, de porte e de corpo.
Dos avessos me tomo, das exclamações me proclamo.
Uma só de mim são várias.
De solas coladas ao chão, parto ao pensar
e ponho-me sempre ao acaso.
Sou filha do descomunal.
De tremores a fala se discorre,
preciso do que me sustente num laço.
Bem sei: qualquer pedaço de carne faz-se mais clarividente que ti.
Aflitivamente, é da tua carne que insisto em querer,
e queres o nada envolto num corpo de aparências.
Teimo, se não te conheces,
dou-te a chance: conheço-te todo e apresento-te a ti mesmo.

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