terça-feira, 26 de outubro de 2010

Gula

Não presto
pra nada que dure
nada que prometa
nada que pressione
nada que não impressione
nenhum pra sempre
nenhum talvez
nenhuma dor sem razão
nenhuma razão sem loucura
nenhum amor por razão
nada que me rume
nada que me arrume
nada que me corte
nada que me detenha.
Não presto
pra homens censurados
homens calados
homens ocos
gentes retas
gentes certas
gentes quietas
e nenhum gênero de covardia.
Tenho coragem e dou as caras ao tapa.
Hão de me amar pelas beiradas,
comendo o meio,
olhando a cara e lambendo os beiços.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Precário

Meu amor
está pendurado de cabeça para baixo
está guardado numa gaveta trancada
está com o rabo nos meios das pernas
está com os dentes se debatendo de frio
está tateando paredes no escuro
está sentado no meio fio
está gaguejando ao falar
está tropeçando no andar
está secando a garganta de sede
está deitado no calçamento
está pedindo esmola em qualquer avenida
está rodando a bolsa em qualquer esquina.
Meu amor pede tudo e não tem nada.

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