sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Divisão

Às vezes paro
absurda, inconsolada,
abrindo com urgência o peito,
revirando pra ver se acho conserto,
paradeiro, síntese, maneira.
Às vezes paro
perplexa, revolta.
Se eu fosse, quem me sentiria ausente?
Eu neste mundo, o que faço?
Quem teceu essas linhas tortas,
vidas confusas, cantos, versos,
acidentes, noites de chuva,
horas extras, fome e dor?
O que de tão grave me acontece
que nada se resolve em mim e nem
se encaixa aos outros?
Por que é que amo torto, tombando
à demasia ou ao nada?
A solidão me calça como sapatos
e os desejos me vestem nas pernas.
Sou oca de entendimento.

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