domingo, 30 de janeiro de 2011

26 de janeiro, 11:48 pm.

Vim sozinha e sozinha irei. Cheia de pose, cor nas unhas e nos lábios, olhos falantes e que chamam, lágrimas derrubadas por um amor só meu: ele nunca me amou. Sou uma corrida para chegar ao nada imenso. Tragicamente sou, e só assim posso existir, através do meu próprio fracasso. Sou atriz de mim mesma.
A foligem do mundo cai sobre mim e me alimento disso. Da vontade de querer um corpo somado a uma alma e da qualidade de ser plural na santidade e na loucura. Meu mal sou eu.
A música toca, o vento sopra, o chá borbulha, o cigarro queima. Preciso do estrago para sentir que há a reparação, e recomeço, das minhas próprias cinzas, velando minha tristeza, chacoalhando meu corpo e sentindo a vida me adentrar pelos poros. É por isso que tenho estômago resmungão e olhos famintos. Tenho asco da vida tal como ela é. Procuro, arranjo e quero sempre mais. Me meto no perigo porque quero a plenitude de toda a miudeza.
Quero ir com a corrente mais leve, mais solta, mais clara. Ah, como me pesa viver. Já não me suporto mais em nada.
Minha vida é essa: eu tentando me desmistificar a mim.

6 comentários:

Nanne costa disse...

O que aprendemos por experiência própria, vale mais do que o que nos ensinam. Assim amadurecemos e nos tornamos pessoas melhores

viva sempre beijosssss

FERNANDO COSTA disse...

E já que me interesso, venho e paro.
São as fatias de um nada que as vezes gosto. Por outras, não é preciso dizer nada. Estar e permanecer, sem que por fora a carne traduza o que por dentro nem eu sei, ou sei?

Quem em palavras se exprime, jorra vontades.
Quem em silencio navega, se sabe.

No fundo é questão de velar o que em você leio.

Noves fora - Vida !!!!

Mayara Almeida disse...

Se é descrente ou não de signos, de qualquer forma, esse me pareceu claro que o elemento é: fogo.

Seus textos são um turbilhão, um turbilhão!

Thalita Paiva disse...

Você escreve super bem. Amei seu blog... te seguindo fofa! :)

Marcelo Zorzeto disse...

Como disse Murilo Mendes:

"Ainda não estamos habituados com o mundo.
Nascer é muito comprido."

E é comprido mesmo, às vezes acho que é infinito.

Fica bem sempre.

Camilla Lourenço disse...

"Já não me suporto mais em nada."

Me sinto assim.

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