sábado, 25 de junho de 2011

nesse apartamentozinho inho inho
no meio da vila olímpia
aviões furam meus tímpanos
a vizinha grita
ronco de motor
o telefone não toca
sofá duro
tela na janela
quero me jogar por ela
através dela
por ele
por mim
nesse mar de gente
sou gota
que transborda
sufoca
tem sede
fica seca
pede sexo
quer amor
não tem ninguém
é só de solidão
com tanta gente me apontando o dedo
pra me dizer que não
pra me bater na fuça
eu quero céu
eu quero ar
eu quero espaço
eu quero querer imenso
paz miudinha
meu cantinho
ninho
eu de volta
morrendo de amor
pra me sentir viva
vida ardida na genviga
quero tudo pra ser construído.

4 comentários:

Jamil P. disse...

Aqui do lado do aeroporto de Congonhas, onde moro, também é triste (provavelmente ainda pior que aí). Há alguns anos tenho usado um protetor auricular da 3M muito eficiente; é barato, confortável e você não ouve nada; paz absoluta.

Beatriz Fig disse...

incômodos diários eu não podem ser eternos!

Bianca Telles de Morais disse...

Perfeito!
Descreve toda a sensação de uma pessoa apaixonada. Eu mesma, me encontrei aí... heheh

Bom restinho de semana, beijo!

Will Carvalho disse...

Tudo tão humano´, né?
Por outro lado tão animal, tão intuitivo...

Vai ver, quanto mais bicho somos, somos também mais intimamente humanos

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