sexta-feira, 29 de julho de 2011

São Paulo, 15/08/2011

Ele me disse aos gritos que não suporta minhas contradições. Meu jeito hora escritora, hora menina, hora mulher, hora bicha, meio desbocada, de goles largos, silenciosamente secreta de tentações. Não tenho argumentos para me defender. Calei desatenta areando panelas, fiz ar de soberba, inocente, falei no diminutivo, aumentei levemente o tom da voz. Feito carne entre os dentes. Tirar do sério é meu encargo - próprio e alheio. Deitei no canto do sofá encolhida, um tanto sem vergonha ouvindo absurdos. Sou reversiva, altiva, cachorra no cio, cachorro filhote sem mãe. Tenho o péssimo hábito de me escrever para ver se defino: inútil. Não há definição racional que me console. Exuberantemente faleço. Tripas desdobradas, rosto azedo de frente para o espelho. Quero tempos antigos e quero mudanças. Quero um homem que me ame e outro que me bata na cara. Volto ao zero. Contradigo tudo o que me remete. Não sirvo. Não soluciono. Adianto: tudo o que me toca vira verso. Sobretudo meu pobre excesso humano.

Um comentário:

Will Carvalho disse...

Essa mulher/menina/etc daria uma ótima música by chico Buarque. E muito mais...

Visitas