terça-feira, 16 de agosto de 2011

Crônica da falta que move.

Sou esquentada. Bato na mesa, engulo silêncios, cuspo idéias. Eu acredito em olhares. Até o dia em que me olharam como se me comessem, e não significou nada além daquilo. Desacredito, então. Passo a saber lidar menos com os homens. Me dou aos animais, acho que me conhecem. Não acredito. Acredito. Achei que se esquecesse - ou fingisse esquecer, amaria outros. Amar como quem gera um filho. Amar como quem quer ser amado. Talvez ninguém precise do outro para se sentir amado. Eu sim. O amor próprio é um espinho nos olhos. Eu preciso da gente, da multidão, do silêncio absoluto, do telefonema, da mesa completa, da casa vazia, da falta, da cama quente, da manhã. De certo o amor não é burrice: é inocência. Vontade, entrega, contemplação. Aqueles dias vivi tanto que me esqueci. Daí vem meu êxtase necessário. Só quero me lembrar de mim quando escrevo. A vida incompreensível me veste as pernas. Não sei dizer. Meu filho, depois é tarde demais. Quero tudo e quero sem tempo no relógio. Minha pressa me morde os lábios. Deixo meu endereço, meu cheiro nos teus lençóis, pausa na loucura, choque de mim. Se o que for sendo tiver sido, não sei ser. Insisto em destrinchar acontecimentos. Sou curiosa. Nunca terei respostas.

3 comentários:

Bianca Morais disse...

Incrível, excelente!

Meus parabéns.
Continue escrevendo! :D

Ótima semana pra você!

psput disse...

Parabéns! Incrível!

Mayara Almeida disse...

Gostei disso "Minha pressa me morde os lábios"

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