sábado, 6 de agosto de 2011

Janela

o que me chega é pouco
sempre encardido esse querer
cuspido no asfalto
com cheiro de malboro red
lábios secos e barba a fazer
minha pele lisa não merece tua aspereza
meu amor próprio tem as pernas quebradas
morrer é preciso todas as noites
mas nascer no dia outro faz-se obrigatório
e eu fico como feto no útero
me gerando
sem parir nem abortar
cresço involuntariamente.

admito: só louvo o que me bate na cara.

3 comentários:

Bianca Morais disse...

Perfeito!

Belo uso das palavras, adorei... Parabéns.

Nada melhor que Marlboro red ;)

Ótimo final de semana pra ti, beijo!

Biamarques disse...

Muito bom, Melina! Venho acompanhando o seu blog e me deliciando com os textos - lindos, diga-se de passagem. Beijos, Bia.

Anônimo disse...

Não tem como não se apaixonar pela sua escrita. Acabo ficando ansiosa por mais.. além de ser bem diferente do que se vê por aí. Muito bom!

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