terça-feira, 13 de setembro de 2011

Conotação

É bem como se o amor não fosse afetuoso, e sim um criminoso. Me passa a perna, me estupra o íntimo, me rouba o valor, atiça meu áspero e cinzento ódio. Somo errado, jogo-me inteira, não pondero, não espero. Eis que antes achava que era entrega. Hoje acho que é extorsão. E vos digo que já tentei ser promíscua: não adianta. Sofro por um só, amo como se fossem muitos, em doses cavalares. Amo nos outros o que não sei ver em mim. Projeção barata. Não sei nada. Nem adianta me perguntar.

Um comentário:

Andréa Kopper disse...

Sim! O título desse texto fala tudo o que se sente nele, nem precisaria de mais nada. Tudo está além do significado escrito ou literal dessas palavras. Muito bom! Amei :)

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