segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Enfático

Meus pressentimentos falham e não me calo quando devo. Sou demais vulgar que me entrego a quem for entre palavras. Sento no caos, faço promessas que não cumprirei. Esqueça se um dia eu disse ser compreensivamente mulher. Não sou. Existe uma espécie de culpa que dá em ser humano. Culpa por não valer, pecar, saber que faça o que fizer, teremos fim e o fim é escuro e profundo, um nada branco imenso enigmático - somos, sou. Não me sujeito ser óbvia mas sou. A humanização me fez assim. E as memórias mofam e apodrecem na gente. Regem e formam sequelas. Sou uma consequência. Gosto de estar nua e me surpreendem os corpos. Nudez para mim não se trata de sexo, e sim de coragem. Uma coragem absoluta não-cristã de se suportar sem adornos. E olho os corpos de quem amo como se fossem as únicas verdades que eles tivessem. E me olho como se fosse mãe, filha mal caráter e uma amante que não se concentra. Sou péssima. Te amo mas não me dedico. Acumulo inventos. Cada um faz um plano pra se safar. Constrói mentiras, encena verdades. Converso horas longas com meus pensamentos e não chego a conclusões.
O amor neutro é frouxo. O amor tem de pedir de joelhos, ter opinião e ter fome. E não tenho nexo. Me encaixo em filosofias e não me encontro em nenhuma - nenhum. O melhor estado é o de não estar, apenas. A felicidade é uma tortura, pedra de gelo em mãos quentes. Não ter sentido é uma espécie de de êxtase para mim.

3 comentários:

apaixao-desconceito disse...

"Não ter sentido é uma espécie de de êxtase para mim".
Ótimo, adorei isso!
AP

Lara disse...

Sou amante das palavras que você escolhe e a forma de expressá-las.. Desse caos eu entendo. Adorei o texto!

Yohana Sanfer disse...

Que texto fantástico! Que belso escritos neste blog! Adorei descobrir-te! bjs

Visitas