sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Meu corpo insatisfeito
pede mais sem nem saber o que quer
muda de cidade
e não se resolve
não se pacifica
não se acalma
não se doma
não se arruma
não se ruma
ama os que não o amariam
não pede trégua
se arrisca solitário
querendo o risco
querendo o corte
querendo a morte
de todas as agressões
de tudo o que fere
sem saber
que se fere sozinho
louvando o impossível
incompatível
sensível
irredutível.
Meu corpo quer o conforto
de não precisar de mim.

3 comentários:

Marcelo Zorzeto disse...

Corpos são naves que vagam!

Andréa Kopper disse...

Se nós precisássemos apenas da gente, seria tudo mais fácil. Infelizmente isso é impossível, todos somos subordinados à alguma coisa.. E é assim e por isso que somos felizes :)

Lígia Araújo disse...

O corpo é catedral da alma. Uma catedral, teoricamente, teria de permanecer imóvel, servindo de abrigo e proteção para alma. Proteção... oras! O corpo desassossega nosso espírito, faz de nós labirintos. O corpo nos leva de nós e de nosso centro. Tudo é ele e para ele. Sorte que ele é surdo... basta um sopro dos deuses que ele se dissipa pelo ar como uma bolha de sabão...

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