quinta-feira, 31 de março de 2011

É preciso que eu me tranque mais dentro de mim
sim
é preciso que eu me contente com meu próprio rico
vão
é preciso que eu olhe menos ao redor pra não te ver
perfeito
barba cerrada
olho no olho
sorriso displicente
me estende a mão
me enche o copo
me nina plácido
é preciso que eu não me jogue nesse abismo que é tua
boca
é preciso que eu seja desmemoriada e menos
impetuosa.
Sou mulher-coisa
mulher-caos
mulher-tua
a dor do relógio
a espera nas costelas
o silêncio do não saber.
Eu quero que o meu corpo se livre do mundo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Esperança Cansa

A vida faz o amor, ou este faz a vida?” foi o que Shakespeare indagou na cena II do ato III de Hamlet. Foi o que hoje, sentada de pernas cruzadas no sofá, eu sorrateiramente passei os olhos e me nasceu uma matilha na garganta.
Acordei cedo, quase com o sol. Seis horas minhas pernas já estavam estendidas andando pela cozinha. Procurando o pó de café, ligando a televisão para o jornal. Tem dor que tira o sono. Tem dor que não cabe no peito da gente.
Eu sei que sei ser menos. Eu quero menos. Menos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

I

Quero chapar a cara
de amor que nutra
e me diga hoje
que me quer amanhã.

II

Perdoa minha ingratidão suja
de menina-mulher abismada:
meu desespero é árido
de cabeça erguida
peito arfado
e olho no olho.

Não sou nada e minha culpa é a de viver tentando.

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