terça-feira, 31 de maio de 2011

Viagem

Anuncio aos quatro cantos
em meio ao meu silêncio rústico:
não amo mais
mas tenho amor.
Ponho a mão no peito
e pulsa
por ordem de vida
pelos meus modos ardidos
e minhas memórias fétidas.
Me lembro de tudo
como se morresse de tanto
e de tão pouco
faço pergunta
e não tenho resposta
gero um filho
amo outro homem
acordo cedo
concedo lugares
cedo sorrisos
tarde me deito
tardo a deixar-me
e não sei o que sou de mim
nem o que será do que sei ser.
Não tenho ninguém
e ninguém se tem.
Quero descanso.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Amores Brutos

Sete meses. Rasteiras do acaso, felicidades do acaso, acontecimentos e a falta deles, madrugadas adentro, dias trancada no apartamento frio, livros, rascunhos, encontros, telefonemas, esperas. Minha fraqueza, meu medo, desejo, amor, angústia, beleza, fome e minhas saudades viraram poesia. Sou humana. Nasceu prematuro, como tudo em mim. Gerei e pari meu bem e meu mal. Sou eu na estante em versos, explícita, nua, mulher, menina, animal, mãe, objeto.

O livro já está disponível para venda no site da Editora Patuá. O lançamento ocorre no início de junho aqui em São Paulo. Depois anuncio data, local e hora. Todos estão convidados.


Amor,

Mel.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Miséria

As gentes me ferem
quando falam de si
e eu me ponho em soluços
porque sou demais minha
e sei tanto de mim
que é como labirinto:
já não tenho saída.
A suficiência não está
em se pintar por fora
pra se fingir por dentro
assim estou crua
de pés pelados
arranquei a roupa da vontade
e me coloquei pra descansar
entre lençóis brancos
sentindo teu cheiro de chuva
pedi antes que me levasse pra casa
me desse um filho
e três dias te olhando de graça.
Acabei entreaberta
me esfregando na saudade.

Ps: Mais de mim no site da Editora Patuá.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vinicius

A avó canta
em manhã de sol frio de outono
rádio no tanque
ruga nas mãos
"porque foste em minh'alma
como um amanhecer
porque foste
o que tinha de ser".
Anos depois
meu corpo de mulher vira tábua
boca muda
língua seca
nojo dele
"porque tu me chegaste, sem dizer que vinhas"
bati a porta na tua cara
cheguei toda arrependida
frígida
vazia
contanto os carros na avenida
quero voltar ao que era
quero me reaprender.

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