quarta-feira, 29 de junho de 2011

ando sem paciência
atravessando a avenida
no cantinho da calçada
sentada no meio fio
pressa de ser
cansaço próprio
de insuficiência
verso sujo
verbo escarrado
não aguento mais
minha poesia
e a falta dela
e a dele
e a minha.
não me sobra nada:
fico resto.

sábado, 25 de junho de 2011

nesse apartamentozinho inho inho
no meio da vila olímpia
aviões furam meus tímpanos
a vizinha grita
ronco de motor
o telefone não toca
sofá duro
tela na janela
quero me jogar por ela
através dela
por ele
por mim
nesse mar de gente
sou gota
que transborda
sufoca
tem sede
fica seca
pede sexo
quer amor
não tem ninguém
é só de solidão
com tanta gente me apontando o dedo
pra me dizer que não
pra me bater na fuça
eu quero céu
eu quero ar
eu quero espaço
eu quero querer imenso
paz miudinha
meu cantinho
ninho
eu de volta
morrendo de amor
pra me sentir viva
vida ardida na genviga
quero tudo pra ser construído.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Aqui não chove mais. O tempo é seco e frio, mas faz sol. Tenho morrido mais rápido esses dias. Vejo o céu por uma fresta na varanda. Tem prédios ao redor, aviões passando. O útero reclama, dói em pontadas. Durmo mal. No banco detrás do táxi me dá vontade de chorar. Sozinha, de madrugada. Olho os carros, as pessoas dentro deles, os homens de rua nas calçadas. Eu queria te dizer que sinto falta. Só depois que me mudei para São Paulo entendi Nelson Rodrigues. Amar é ser fiel a quem nos trai, sim, mas antes de tudo a companhia de um paulista é a pior forma de solidão. Cumpro os dias sem rotina me arrastando calada. Não quero falar e nem posso. Minha escrita anda rala, não amo mais aquele, nem outro. Não procuro mais rostos na rua. Faço confissões ao segurança do bar. A faxineira aqui de casa diz que se vê em mim. Eu tenho a pior forma de lidar com o mundo: os sentidos. E eu não me interesso mais. Pior do que sofrer é não sofrer. E a vida apática te recebe lânguida todas as manhãs e te tira o sono à noite. Viver aperta no calcanhar. Afrouxa na cintura, arde no olho. Nada cabe. Não sei nem mais o que sinto. Não dou nome. Não quero salvação: quero a queda célere no meu abismo e nos outros também. Quero os pelos do corpo arrepiados e a boca seca. Quero pulso acelerado e frio no umbigo. Quero voltar a me querer.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Convite para o lançamento de "Amores Brutos".

A Editora Patuá e a Livraria Capítulo 4 convidam a todos para o lançamento do livro de poemas "Amores Brutos", de Melina Flynn.

O lançamento será realizado dia 18/06 - sábado - às 20h - na Livraria Capítulo 4, Rua Tabapuã, 830 - Itaim Bibi - São Paulo - SP. A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda pelo valor de R$30,00. O livro pode ser previamente comprado através do site da editora aqui .

(Amigos e leitores de outras cidades ou estados que não puderem comparecer ao lançamento podem realizar a compra pelo site da Editora Patuá e receberão o livro autografado após o evento).


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Entrevista ao PodLer Podcast Literário

No quinto episódio do PodLer, a escritora Melina Flynn conversa com Pablo, Luke e Tatu sobre o seu livro de poemas Amores Brutos, sobre o seu processo criativo e muito mais. Amores Brutos tem prefácio de Rafael Cortez, repórter do CQC, e será lançado no dia 18 de Junho, sábado, na Livraria Capítulo 4 (Itaim Bibi, São Paulo). Mais informações no Blog da Melina Flynn e no Site da Editora Patuá.

A entrevista está disponível no blog do Livros Brasil. Para acessar, clique aqui . E também na página do Facebook do PodLer, aqui.

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