quarta-feira, 24 de agosto de 2011

minha missão é me safar de mim
assim
sorrateira
afasto as coxas
bato na mesa
varro o chão
suspendo censuras
suspensa no ar.
eu quero o indizível não cabível impalpável
chega de colonialismo e bons modos
me arregalo ao que não sei dizer

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Impugnante

aqui
ângela ro ro
frio no calcanhar

pedro pendurado no telefone
pedi um tempo
me liga cobrando
agora não posso
passo a vez
levo três tempos pra pegar no tranco
i'm out of my senses
meus crimes são passionais
minhas alegrias também
e não são minhas
essas
e não sou minha
essa

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Crônica da falta que move.

Sou esquentada. Bato na mesa, engulo silêncios, cuspo idéias. Eu acredito em olhares. Até o dia em que me olharam como se me comessem, e não significou nada além daquilo. Desacredito, então. Passo a saber lidar menos com os homens. Me dou aos animais, acho que me conhecem. Não acredito. Acredito. Achei que se esquecesse - ou fingisse esquecer, amaria outros. Amar como quem gera um filho. Amar como quem quer ser amado. Talvez ninguém precise do outro para se sentir amado. Eu sim. O amor próprio é um espinho nos olhos. Eu preciso da gente, da multidão, do silêncio absoluto, do telefonema, da mesa completa, da casa vazia, da falta, da cama quente, da manhã. De certo o amor não é burrice: é inocência. Vontade, entrega, contemplação. Aqueles dias vivi tanto que me esqueci. Daí vem meu êxtase necessário. Só quero me lembrar de mim quando escrevo. A vida incompreensível me veste as pernas. Não sei dizer. Meu filho, depois é tarde demais. Quero tudo e quero sem tempo no relógio. Minha pressa me morde os lábios. Deixo meu endereço, meu cheiro nos teus lençóis, pausa na loucura, choque de mim. Se o que for sendo tiver sido, não sei ser. Insisto em destrinchar acontecimentos. Sou curiosa. Nunca terei respostas.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Júbilo

Ele me diz:
"why so far away, honey?"
e eu retruco que é minha natureza
intolerante
esvoaçada.
Mentira
é aquele outro homem que passou
e me levou faz tempo
pra onde eu não sei
culpo ele
mas sou eu grande desencontrada
quero me achar de volta
recolher caquinhos
juntar pedaços
tremer mãos e idiomas
por outro
mas sou fraca
a desenhar navios no ar
poluindo minha respiração
com a fumaça do teu cigarro.
Ainda acredito piamente
que a melhor parte
é justamente
não fazer parte.

sábado, 6 de agosto de 2011

Janela

o que me chega é pouco
sempre encardido esse querer
cuspido no asfalto
com cheiro de malboro red
lábios secos e barba a fazer
minha pele lisa não merece tua aspereza
meu amor próprio tem as pernas quebradas
morrer é preciso todas as noites
mas nascer no dia outro faz-se obrigatório
e eu fico como feto no útero
me gerando
sem parir nem abortar
cresço involuntariamente.

admito: só louvo o que me bate na cara.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Harmônico

não me encaixo
obviamente
terminantemente
terrivelmente
delirantemente
nenhuma
em caso algum
homem
mulher
cidade
apartamento
cama
sofá
bar
calça jeans
sapato alto
acho que minhas medidas
são proporcionais
à minha alma
não tem proporção
nem cabimento
sou caso perdido
irregularmente convivo
não condizo, apenas.

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