quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sol Escuro

não tento mais
me dar aos bons exemplos
nem me faço de contente
passando a língua pelos dentes
satisfeita com o jantar
e o que há de vir depois
a vida casual que corre
e não me liga no dia seguinte

acho que pessoas
são enfeites
na vida das outras pessoas
badulaques
adornos

acho que me levo a sério
ponho tudo nos ombros
carrego fardos
exijo soluções

o que faço às vezes
é fingir alegria
esquecendo meu nome
e dogmas que inventei

sou o que resta do resto
de uma verdade inventada

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Enfático

Meus pressentimentos falham e não me calo quando devo. Sou demais vulgar que me entrego a quem for entre palavras. Sento no caos, faço promessas que não cumprirei. Esqueça se um dia eu disse ser compreensivamente mulher. Não sou. Existe uma espécie de culpa que dá em ser humano. Culpa por não valer, pecar, saber que faça o que fizer, teremos fim e o fim é escuro e profundo, um nada branco imenso enigmático - somos, sou. Não me sujeito ser óbvia mas sou. A humanização me fez assim. E as memórias mofam e apodrecem na gente. Regem e formam sequelas. Sou uma consequência. Gosto de estar nua e me surpreendem os corpos. Nudez para mim não se trata de sexo, e sim de coragem. Uma coragem absoluta não-cristã de se suportar sem adornos. E olho os corpos de quem amo como se fossem as únicas verdades que eles tivessem. E me olho como se fosse mãe, filha mal caráter e uma amante que não se concentra. Sou péssima. Te amo mas não me dedico. Acumulo inventos. Cada um faz um plano pra se safar. Constrói mentiras, encena verdades. Converso horas longas com meus pensamentos e não chego a conclusões.
O amor neutro é frouxo. O amor tem de pedir de joelhos, ter opinião e ter fome. E não tenho nexo. Me encaixo em filosofias e não me encontro em nenhuma - nenhum. O melhor estado é o de não estar, apenas. A felicidade é uma tortura, pedra de gelo em mãos quentes. Não ter sentido é uma espécie de de êxtase para mim.

domingo, 18 de setembro de 2011

I put a risk
under my chest.
It has your name
crossing my fingers
diving between my brest
the smell you left inside my nose
the swing your tongue does
on my back.
My body asks for heart.
So I don't love you, love.
I'm just replacing sorrow.
You don't love me, love.
You are just placing vains.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Conotação

É bem como se o amor não fosse afetuoso, e sim um criminoso. Me passa a perna, me estupra o íntimo, me rouba o valor, atiça meu áspero e cinzento ódio. Somo errado, jogo-me inteira, não pondero, não espero. Eis que antes achava que era entrega. Hoje acho que é extorsão. E vos digo que já tentei ser promíscua: não adianta. Sofro por um só, amo como se fossem muitos, em doses cavalares. Amo nos outros o que não sei ver em mim. Projeção barata. Não sei nada. Nem adianta me perguntar.

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