segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Em geral silenciosa
ou verborrágica
não escolhi o sossego
preferi destrinchar perguntas
sem respostas.

Reviro em cólicas
orgulhosa
achei que pudesse controlar
enfileirar memórias
escolher rostos
ponderar tolices.

Me abri demais
para uma vida sem sentido.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Passagem

se amo
ou não presta ou me despreza
se me ama
desprezo por não prestar
não me dedico
não me concentro
não me dou trégua
me desaproprio cordialmente
de qualquer gratidão à mim
insisto a todo custo
atraio e conservo vorazmente
aquilo e aqueles
que me destroem


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Quanto


Não posso falar de morte ainda
e nem deixar que prevenham
minha vida
numa página de jornal qualquer
porque o destino bate e volta
incerto e obsceno
não acredito em divindade
acho que sou demais desprevenida
(se aceito sou santa
se condeno sou vadia -
prefiro levantar a saia)

É certo que há fim
mas não finalidade.

É covarde como pintam a vida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ofício

nunca fui filha
fiz favores

nunca fui amante
substituí mulheres

nunca fui amiga
fiz caridade

nunca fui eu mesma
fiz céleres personagens

sou uma bicha sem melindres

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O que quiser

não tenho medo
em ser devassa
puta
ou depravada
não tenho medo
em não ter deus
não tenho medo
de não ter pai
meu maior medo
é conviver comigo
de frente pro espelho
fazer as pazes
engolir seco
ter de enfrentar
e não ter pra onde correr
ter que conviver
sem saber o que fazer
se viro monja
se viro mãe
se viro amante
se viro ordinária
ou se me relato
em versos baratos
e me viro com o que há
de mim
que me pensem
como quiserem
que não me penso
me evito
quando me encontro
desvio
mudo de calçada
ponho meu ray-ban
pego atalhos
finjo não conhecer
perdi a coragem própria
em alguma esquina
enquanto me dava pro vento
enquanto inventava formas
de me safar

engravidei de mim

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