quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Se estou confusa
existencialista ou esquerdista
ampla neurose
dizendo frases soltas
ou calando
querendo entender
como pode alguém se atrever
a mim
se tudo que sei dar é minha carne
e se tudo que sei receber é ironia
eu não sou aquela mulher
que eles pensam que eu sou.
Digo como quem ordena:
sou literária, jamais literal.
Há uma vasta falta de sentido em mim.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Essa louca desbocada com um certo sotaque no fim das palavras, vaidosamente largada, silenciosamente verborrágica e sem medo de doer - muito menos de beber, ah, essa sou eu. Grito pelos olhos e pela boca eu arrisco. Às vezes fumo, às vezes choro, quase sempre rio. Sou de saias, de pernas, de peitos, de toques, de discos, de teorias próprias. Previsivelmente imprevista. Sou de caminhos novos e incansáveis. Amo o amor e a coragem. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Eu queria que eles entrassem em mim sem deslumbre, medo ou excitação. Às vezes apenas detesto ter que dizer.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Em mim brotam forças e fraquezas. Tenho um destino de chegadas e partidas, arrepios e um conforto masculino de braços largos e mãos ásperas. Dei-me inteira a pecados intitulados que inventei. Sou só desejos.

domingo, 29 de julho de 2012

Eu sou - de certa forma - um reflexo vulgar dos homens que não se atreveram a me amar.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Novidades

Queridos, Comment êtes-vous?

Algumas mudanças precisam ser feitas e eu quero a ajuda de vocês.

Desde que meu tempo anda cada vez mais curto (o que é incrível porém exaustivo), quero centralizar meus escritos num só lugar. Como o Facebook tem dado mais retorno do que o Blogger, pretendo deixar tudo por lá. Entretanto, gostaria de dividir a administração da página com alguém. O mesmo vale para este blog. Quem se habilita?
Me escrevam no melinaflynn@gmail.com que conversamos.

Outra coisa, criei uma conta no Ask.fm. Acessem aqui.

Aceito dicas, sugestões e afins.

 Amor,

 Mel.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tem uma sequência errada de acontecimentos em mim. E eu nem sei por onde me começar. Eu tenho uma vergonha fodida de andar comigo na rua. Queria me virar do avesso, vender meu corpo na esquina sem direito a devolução, perder a audição da minha voz interna. Sinto certa pena do que eu me tornei - porque cada movimento em mim foi involuntário, nada se forçou, apenas talvez o constante e inútil exercício de esquecimento. Se não sou essa por fora e nem essa por dentro, o que é que eu sou? Me perdi pelo caminho. E não há quem me recolha. Meu amor é violência. Sou uma eterna insatisfeita que não cabe no corpo que me foi dado. Eu deveria ter vindo com algum roteiro, uma espécie de chave de liga e desliga, abre não abre, tranca pra fora, hoje não é dia de entrar em mim, ainda não é tempo de deixarem eles entrarem. Sempre quebram os vasos da esperança e eu termino de atear fogo na casa com os corpos feridos estendidos no chão da sala. De nós sobram sempre cinzas. Um dia vamos queimar pra sempre. Um dia me queimo sem volta.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Eu gosto das palavras bonitas. Se eu pudesse, me enfeitava toda delas antes de sair de casa. Assim, como se fossem um par de sapatos. Agora estou ocupada, não quero falar. Ainda não entendem como uma mulher pode se arrumar para si mesma. Acham um abuso. Nos tempos de hoje ainda julgam a mulher que ama, sobretudo se ela amar a si mesma. Eu só deixo de me amar quando amo aquele homem. Aí sim eu apanho da minha ignorância emocional. Mas é de se entender. Sou sempre vista como uma ameaça. Aos meus familiares, aos homens, às mulheres. Em geral me dou bem com os animais, as crianças e os idosos. Para o resto das pessoas eu sou um incômodo. Acho que elas tem medo da verdade. Algumas mal conseguem admitir o que tem entre as pernas. Sou humana demais, e acho que ter crescido com as galinhas me fez demais animal. Não sou explícita. Sou transparente de corpo e de pensar. Embora turva ao sentir. Quando criança meu avô me deu uma galinha. Eu nunca tive irmãos e meus pais trabalhavam fora o dia todo. Meu amor por elas nasceu muito antes de ter lido a crônica da Lispector. Eu amo o silêncio verborrágico e a crueza das espécies. Daí o meu amor pelos animais. Crescida, hoje, vezes me sinto uma galinha encurralada num canto do quintal sendo caçada para o almoço. Eu sei que muitos só querem me comer, sim. E eu me sinto usada. Como se minha existência fosse uma comodidade e um estorvo, sempre servindo aos outros. Todos sabemos que as galinhas não voam. E todos sabemos também que o sonho das galinhas é voar. Acho que sou uma.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ainda é cedo

Ônibus lotado, sapato apertado, nó nos cabelos, cansaço sem sono. Os incômodos externos ainda não são capazes de superar os internos. Ele não me contou que era casado, por exemplo. Foi uma noite no bar e só. O outro, o que mais me impressionava e o que mais me dava pavor, saiu da minha vida do modo mais lindamente trágico que já pode me acontecer. Ele bateu a porta na minha cara, me apontou o dedo, me desejou dores eternas de amores, me deixou uma marca roxa na coxa, mordida no lábio e gosto de azedo por todo o corpo. A raiva dele contra mim foi externa. Me senti uma vagaba, uma menina, uma safada, uma errada. Alguns poucos meses depois, não suporto. Decreto o fim do que não começou. Vou ao banheiro e vomito. Vomito uma espécie de amor de amor barato, vulga paixão. Vou para o hospital, passo dias anestesiada de uma dor que parece infinita. Nada cabe no corpo, ninguém é o suficiente. Meu corpo de luto. Volto a mim, digo que não para dúzias, e sim para alguns nulos, abaixo de zero, de tão poucos, tão pequenos. Volto a fumar. A análise é um tapa na cara que eu quero sempre. Me descubro sozinha, sozinha e mulher. Enorme e minúscula, contraditória, benigna, violenta. O médico me revira, me pergunta, me acusa. Meu útero lateja, arde, queima, chora. Eu quero mãe. Sou eu e eu mesma. Me sinto como uma retirante que acaba de ser jogada em alguma esquina do centro de São Paulo. Ainda não sei dessa cidade. Nem de mim. Nem dele. Nem do amor. Eu amo em outra língua porque não sei amar na minha. Mas haja, haja, haja tempo gasto. Ninguém se entrega a ninguém. Certos estão eles, ou não. Sofro cada dor minúscula, cada incômodo físico, cada agulhada emocional. É árduo esse modo sim, e é meu. Sou inteira minha. Mas eu queria mesmo era fazer as malas e sair para viajar de mim. Um dia eu volto. Talvez não mais estrangeira.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Queria ser metade da calma em ser mulher, ou em ser outros. Qualquer coisa que não seja eu mesma. É a efervescência que me impressiona. É só assim que me concentro. É aqui que moro. Na impossibilidade crua.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Quando a campainha tocou hoje pela manhã, eu me dei conta do quanto já estava dentro do que não imaginava. O coração correu, a boca secou. Eram flores e não eram tuas, e nem das tuas mãos. Era de outro. Acho que são esses os que me querem, os que não me conhecem, apenas reconhecem. É de farsa minha face. Sou delicada e avassaladora. Só me ama quem não me suspeita. Só me arrisca quem não me suporta. Só fica na minha vida quem me comporta: ninguém, nem eu mesma.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Meu segredo
é entrar na casa dele
estar nele
e deixar que ele esteja em mim
é o olhar
o toque leve
a provocação
é sair da casa dele
sempre
como se fosse a última vez.
É o segundo depois do outro.
É não me afrontar.
É a coragem de ser toda mulher
só pra ele.
É me querer primeiro.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ele me pergunta se ainda escrevo. Digo que não. Mentira. Minha inspiração nasceu e morreu no mesmo dia em que você decidiu sair da minha vida, homem. Eu tento, juro que tento. Mas é o desgoverno quem me governa. É só no caos que me acerto.

domingo, 11 de março de 2012

quatro anos
e algumas noites
e sempre que te olho
é como se fosse a primeira

se amor fosse movível
eu te arrancava de mim
e fazia um quadro
que é pra verem
como é lindo
o sofrimento de amar sozinho

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Se me quiser só uma
se me quiser inteira
se me quiser submissa
se me quiser alegre
se me quiser solúvel
se me quiser mais pura
se me quiser mais santa
se me quiser mais casta
me larga
não me chama
não se aproxima
não aprendi os bons modos
não tenho filtro
e nem paciência.
Tudo o que eu amo mora no exagero.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Pode me ler
pode me rasgar no meio
pode me socar o dedo
pode me chupar no íntimo
pode me chamar de puta
pode me amar sem confessar
pode me expulsar de casa
pode me tentar.
Nunca vou ser tua.
Nunca vou me dar inteira
para o que não me atiça.
Eu não amo ninguém.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Estou me dando para o vazio e para o desconhecido. Nada fica muito tempo na minha vida. Tudo se cansa de mim e eu me canso de tudo. A única coisa que persiste em mim é a insistência de querer. Sou o meu pior inimigo.
Sinto minha vida íntima exposta na capa de um jornal, como se ela fosse única e palpável. Há uma rotatividade infinita de mim dentro de mim, ainda que eu seja insuficiente para mim mesma. É como se eu vivesse esperando pelo futuro que quando se torna presente, quero que seja passado. Não sei me habituar ao tempo dos acontecimentos vivos, tão mais existentes quanto eu. Quero existir num tempo impossível.
Eu antiga era melhor e eu futura serei maior, costumo achar. No presente sou sempre nula. Finalmente posso concluir: não existo. O que vive em mim são os acontecimentos. Não eu, propriamente.

Eu estou escrevendo. E quando escrevo, sou como uma fêmea dando cria. Não quero que me toquem, que me falem, que me chamem, que me precisem. Quero ser desse momento que é meu, eu me dividindo comigo mesma, eu me parindo, eu me gerando de novo, eu me inaugurando, eu morrendo um bocado. Porque é da minha natureza feminina gerar. Gerar eu mesma. É da minha natureza precisar constantemente me descobrir. Nunca acharei eu mesma. E se um dia achar, serei pobre. Pobre porque a complexidade do que pulsa é incompreensível. Nunca se pode saber o que se é. Mas insisto.

Tenho medo de mim. Quero família, quero calor, quero presença, quero significados. Quero tanto que já é inútil querer: fogem de mim porque sabem que peso demais. Fujo de mim porque eu sei que não posso me carregar por muito tempo. Volto ao início. Se me perder pelo caminho, será voraz. Terei de me recolher aos cacos, e subverterei minha existência. Tenho calafrios quando me toco. E o faço sempre com um medo desmedido. Ainda que tudo me cerque, sou eu mesma que me afeto. De adjetivos e, sobretudo, de indignação. Sou reticências.

...
"Existe uma mulher em mim que quer ser outras mulheres, e cada uma dessas outras mulheres quer ser outra mulher. Não fico muito tempo na mesma personagem. Não sei nunca quem acordarei, o que será e o que serei. Tenho um êxtase excessivo em achar outras em mim. O homem, pra me amar, certamente precisa querer uma puta e uma santa - mais puta do que santa. As santas são benignas e óbvias. Prefiro ser excitante e enigmática. Sobretudo provocativa, sempre."

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

engana-se o homem
que acha que sou bonita
não sou
sou fingida
sou fictícia
sou e não sou
se nem minha sou
muito menos tua serei

fui encubida de ser só

domingo, 22 de janeiro de 2012

Quando me estristeço, tomo banho. É como se precisasse me esfregar pra fora numa enxurrada única, desesperadamente em silêncio. O que eu preciso, dizem as paredes, é amor.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

alguma coisa
que não me exija
idioma
marca
família
ciência
literatura
seios
sorriso branco
pernas cruzadas
vocabulário limpo
sanidade
felicidade
alguma coisa
ou alguém
que me aceite nua
sem superficialidade
intimidade
ou aviso prévio
que me cumpra
sem abandono
sem promessa
alguma coisa
ou alguém
que me queira crua
explícita
humana
mulher

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