quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tem uma sequência errada de acontecimentos em mim. E eu nem sei por onde me começar. Eu tenho uma vergonha fodida de andar comigo na rua. Queria me virar do avesso, vender meu corpo na esquina sem direito a devolução, perder a audição da minha voz interna. Sinto certa pena do que eu me tornei - porque cada movimento em mim foi involuntário, nada se forçou, apenas talvez o constante e inútil exercício de esquecimento. Se não sou essa por fora e nem essa por dentro, o que é que eu sou? Me perdi pelo caminho. E não há quem me recolha. Meu amor é violência. Sou uma eterna insatisfeita que não cabe no corpo que me foi dado. Eu deveria ter vindo com algum roteiro, uma espécie de chave de liga e desliga, abre não abre, tranca pra fora, hoje não é dia de entrar em mim, ainda não é tempo de deixarem eles entrarem. Sempre quebram os vasos da esperança e eu termino de atear fogo na casa com os corpos feridos estendidos no chão da sala. De nós sobram sempre cinzas. Um dia vamos queimar pra sempre. Um dia me queimo sem volta.

4 comentários:

Yohana Sanfer disse...

dos gritos que não se calam....gostei de ler Melina!

Tiago Júlio disse...

É engraçado. Há tempos não lia teu blog e, relendo agora, parece escrito por outra pessoa.
Agora parece que tu encara as coisas com mais frieza e niilismo.
Tudo parece irremediável. Tá mais bonito.

Marcelo Zorzeto disse...

Um dia tudo se queima, tudo se consome, nada vale adiatar esse processo. MOrremos mais ontem do que amanhã. Me identifico com sua poesia. super beijo.

Fernando Amaral disse...

E não tens a impressão de que este fogo que queimará para sempre, ainda assim, queimará indefinidamente? Cadê o fim, me pergunto. Cadê o fim?

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