segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O amor me deixou muito dura, descrente. O amor pisou em mim como passam pneus sobre poças d’água. Me revirou todinha, me questionou, me torturou como se fazem com prisioneiros. E eu pedi que o amor me levasse. Me botasse solta numa sala escura e me interrogasse todas as questões ainda sem resposta. Pro amor sou menina, falho muito. Deixei ele me castigar por minha má educação. O amor me freou as entregas e as súplicas. Só me entrego aos bichos, só me dou pro mar. A água fria entrando em mim, lavando meus poros, levando minhas dores, afrontando meus medos, afoitando minhas coragens. O amor é meu céu e meu inferno. O mar é meu subterfúgio. Sou mulher de ondas largas que batem forte e levam tudo. Sou mulher de grandes naufrágios e emersões maiores ainda. É só de amor que vivo e é só de amor que morro. Felizes os que me leem, arriscados os que me amam, tolos os que se metem comigo. Eu quero uma força bruta. Eu quero que ele me confunda com o mar: chamativa, de mistérios. Absurda e apaixonante.

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