segunda-feira, 24 de junho de 2013

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Com amor, para Luc Ferry.

eu me lembro bem de não ter nada naquela vida
além de sentimentos revolucionários
meu meu corpo para a pátria cuspir em cima
meu sangue para jorrar nos ociosos

eu quis ser grande e fui
morri tantas vezes não por mim
mas por todos
minha língua afiava politicagens ao pé do ouvido
queria ser Joana e Canô
ir pras ruas fazer justiça
meu grito saía do peito ardendo em chamas
meus ideais eram mais felizes
agora contam overdoses jogados no piso frio de um banheiro de bar vagabundo

hoje nessa vida me acho tão miúda a remoer amores mal amados
gastos, inaproveitáveis
sou mulher da casa
prepotente a somar dores
como se me vingasse dele
destruo a mim
sou amativa
sou cretina por amar, sei
antes tanta luta 
hoje tanta perda de sofrer
por minhas provocações vulgares
por ele que me enlaçou as pernas
hoje sou presa em mim
tanto mundo pedindo
e eu não me dou, puxo pro fundo

sou uma mulher moderna
como todas as outras
presa nas compras do mês
e nas dívidas que ficaram por vir
divorciada, urbana, refém
e isso me aterroriza



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